Tempo

Um mês após a maior tragédia já vivida por mim e pela família. Aos poucos a vida volta ao normal. Estamos nos esforçando para isso. Apesar dos pesadelos com tiros, os sonhos alegres acalentam o coração. Há um mês o mundo ficou mais triste. Mais real. Mais sombrio. Sem esperança.

Na tentativa de esquecer a dor e o luto, o trabalho me consome a última gota de energia. Tanto que o mês passou voando, na próxima segunda-feira, 9, seria outra oportunidade de reunir a família com alegria, mas, eu acho que esse ano tudo será diferente.

Nesse período aprendi que há tempos de ganhar, de correr contra o tempo, há também, tempo de perder e de começar do zero. Quantas vezes na vida o ser humano passa por isso? E quantas vezes precisará passar para aprender que tudo na vida tem um propósito. E que tudo, absolutamente tudo acontece no tempo de Deus, você acreditando Nele ou não.

A minha família talvez nunca supere a forma como meu primo foi covardemente morto. Que a morte do Anderson vai virar estatística, para a segurança pública local, eu não tenho dúvida. Mas, de que tamanho essa lista vai precisar ficar para que providências eficazes sejam tomadas?

Se a culpa é da falta de equipamentos de segurança ou da Justiça e suas infinitas brechas. Do que faltou para os assassinos, certamente, meu primo tinha de sobra. Uma família e bons amigos que o amavam, caráter e educação. Fato é que enquanto todos buscam culpados, uma esposa e um filho estão completamente sem chão.

A falta de humanidade em pessoas sem esperança de uma vida decente! O Anderson era tão protetor que fez disso sua profissão. Ele poderia ser o que quisesse. Mas, ele escolheu proteger da sociedade, daquilo que há de pior no mundo.

Quanto a nós, nunca esqueceremos da sua coragem, da sua força e do seu sorriso. Nem deixaremos que seu filho esqueça do grande homem que você foi!

* Bruna Lopes é jornalista
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