Aqui não é refúgio

Olhar as páginas policiais é se deparar, de vez em quando, com fatos que evidenciam estigmas e heranças malditas de uma fama bem ruim para o nosso querido Acre. Nos últimos meses, duas notícias reforçaram um velho estereotipo falso daqui. Aquele de que o Estado é o fim do Brasil, uma terra que facilita fugas, acolhe bandidos e que polícia nenhuma vai ousar procurar.

O primeiro fato foi no dia 9 de abril. Uma mulher de 50 anos foi presa no Conjunto Tucumã, na Capital, acusada de ter matado o marido 10 anos atrás, um caminhoneiro, em Jaborá/SC. Já o segundo foi a desta sexta-feira, 24, quando a PRF prendeu Diego de Alcântara Germano Alvares Corrêa, 33 anos. O homem é acusado de matar a ex-mulher com três tiros durante culto em uma igreja, no dia 12 de abril, na cidade de Itupeva/SP. Uma tragédia que chocou os paulistas.

O que os dois casos tinham em comum. Ambos os suspeitos vieram se ‘entocar’ no lugar onde achavam mais improvável serem descobertos: o Acre. Não deu muito certo. Seus esconderijos, assim como seus passados negros, vieram à tona. A mulher (Verônica Campagnolo) e Diego de Alcantara G. A. Corrêa foram presos. Estão tendo o que merecem: uma vida atrás das grades.

Tais prisões serviram de exemplo para quem acredita que no Acre não tem lei. Para quem ainda leva a sério aquelas velhas ameaças de tempos de ditadura nas quais dar um sumiço em alguém significava mandá-lo para cá. Essa não cola mais. Temos polícias fortalecidas e integradas, com uma estrutura de inteligência avançada. Quem subestimar isso, também vai levar a pior.

Até a boneca Annabelle tentou dar uma escapada dos holofotes, após a fama na telona aqui pelas terras de Galvez. E se deu mal. Foi pega no flagra e agora vai ter muitas orações da galera da Cohab do Bosque para ser ‘exorcizada’. Porque aqui no Acre é assim: nem boneca satânica e diva cult de Hollywood escapa.

Quem acha que está livre da lei em solo acreano, é melhor pensar duas vezes (ou ir para a Bolívia). Seria muito bom esta fama se estender pelo Brasil afora, assim como os clichês pejorativos de que o ‘Acre não existe’. Ao contrário, existe sim… e prende muita gente ruim.

* Tiago Martinello é jornalista.
E-mail: [email protected]

Assuntos desta notícia