Já era tempo

Finalmente aconteceu. O Governo do Estado tanto pediu e mobilizou que o Governo Federal enfim vai assumir a responsabilidade em administrar o fluxo desenfreado de imigração que há 5 anos começou pelo Acre. Começou e não parou mais. Nem parece que vai parar.

O governo local fez o possível e o impossível para tentar dar uma vida digna aos imigrantes por mais de 4 anos. E, neste tempo, mais de 35 mil estrangeiros chegaram ao país pela fronteira do Peru com o Acre (32 mil haitianos e os 3 demais de bengaleses, jamaicanos, senegaleses, etc). O Estado deu abrigo, gastou mais de R$ 10 milhões e a União entrou com mais R$ 9,8 milhões para mantê-los (e ainda fica uma dívida de R$ 2,8 milhões). Até briga com São Paulo o Acre comprou.

Fizemos o que poderia ter sido feito. E um pouco mais. Só que o Acre é um Estado modesto (pra não dizer a forma pejorativa: ‘pobre’) e que não tem nem 0,4% da receita que o Governo Federal tem. Esta é uma situação federal e, consequentemente, deve ser tratada em tal esfera.

Agora, para o Acre, que não fugiu da raia e atuou durante tanto tempo para não condenar os imigrantes à miséria, resta uma última missão. Um último compromisso. Não pode deixar a União se esquecer dos haitianos. Com certeza, eles não serão uma prioridade do Governo Federal.

E não é por nenhum tipo de difamação ou tentativa de afamar negativamente a República. Aliás, o Brasil está realmente certo em não tratar esta questão dos haitianos e outros imigrantes como se fosse o item número um da sua lista de emergências. No Brasil e principalmente para os seus administradores, os brasileiros é que têm que vir em primeiro lugar. Isso é indiscutível.

No entanto, a ressalva que se faz é que os estrangeiros refugiados da pobreza de seus países não podem vir cá com sonhos de uma vida melhor, e acabar num pesadelo. A União tem que zelar pelo povo brasileiro, em primeiro lugar. E, paralelo a isso, resolver este impasse com os estrangeiros que usam o Acre como portal escancarado para a nação verde-amarela. As coisas não podem ficar como estão. Ou piorarem. Até porque esta problemática afeta a todos. A dor dos haitianos reflete na sociedade a qual eles estão. Todos merecem mais da União.

Afinal de contas, qual é a impressão que o Brasil e seu povo querem deixar para o mundo? Aqui é só o país do futebol, Carnaval e da Amazônia ou também pode ser uma terra hospitaleira?

* Tiago Martinello é jornalista.
E-mail: [email protected]

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