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A GAZETA pesquisa 24 comércios de Rio Branco e, surpresa, todos já foram assaltados

“Só conto com Deus”, desabafou o comerciante Francisco de Assis, vítima de assalto. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
“Só conto com Deus”, desabafou o comerciante Francisco de Assis, vítima de assalto. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

Encontrar um comércio que nunca tenha sido assaltado nos dias de hoje é como ganhar na loteria. Praticamente não existe. De 24 estabelecimentos que a equipe do jornal A GAZETA visitou em Rio Branco, todos já haviam sofrido com a ação dos criminosos.

Esse é o caso do comerciante Francisco de Assis Magalhães da Cruz, 48 anos. Apesar do bairro Vila Ivonete não ser dos mais perigosos de Rio Branco, ele conta como o seu comércio foi invadido.



“Há quatro meses, chegaram dois rapazes de moto. Um deles tirou a arma na cintura e colocou na minha cabeça. Ele disse que era um assalto e me levou lá pra trás do comércio. Fui obrigado a ficar deitado. Não reagi. Ele levou dinheiro e foi embora”.

Depois de alguns minutos, Francisco de Assis e o outro funcionário rendido levantaram achando que tudo havia acabado. Porém, o assaltante voltou e deu uma ‘coronhada’ com a arma na cabeça do comerciante, o deixando ferido.

“Depois disso, fiquei com medo de voltar a trabalhar. Quando chega alguém de moto e capacete eu já fico assustado. Eu não tomei nenhuma medida, apesar disso. Só conto com Deus”, desabafou.

Doze vezes na mira dos bandidos

Um comerciante que não quis ser identificado, por medo de voltar a ser alvo de bandidos, revela que já foi assaltado doze vezes. O comércio no qual ele trabalha, localizado na Avenida Antônio da Rocha Viana, foi inaugurado há 15 anos. Desde então, o estabelecimento passou por vários roubos.

O último assalto foi em 2010. Cansado de ter prejuízos com os ‘arrastões’ e com medo de perder a vida em mais uma ação criminosa, o comerciante contratou um segurança e instalou câmeras no local, apesar de ser um espaço pequeno.

Traumatizado por ter estado na mira de uma arma várias vezes, o comerciante desabafa. “A sensação é de insegurança, como se a qualquer hora fosse estourar de novo”.

“Realmente pensei que morreria naquela hora”, disse policial rendido

Casa de Carne está de portas fechadas desde o assalto ocorrido no domingo passado. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
Casa de Carne está de portas fechadas desde o assalto ocorrido no domingo passado. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

No domingo passado, dia 6, a casa de carne Deus Seja Louvado 3, no bairro Alto Alegre, foi assaltada por dois homens armados. Durante a ação, dois funcionários foram atingidos por tiros e um policial à paisana teve o seu revólver levado.

Uma semana após o assalto, o estabelecimento se mantém de portas fechadas. Segundo testemunhas, os açougueiros permanecem internados após a tentativa de homicídio. Um deles era filho dos donos e o outro era irmão da proprietária.

O policial civil aposentado José Benvindo, 57 anos, falou com a equipe do jornal A GAZETA e contou como o crime aconteceu.

Ele estava na casa de carne no início da manhã de domingo, pois conhecia o casal dono do local. O policial estava naquele momento com sua arma e uma algema.

De repente, uma moto parou em frente ao estabelecimento. Um deles ficou no veículo e o outro entrou na casa de carne.

José Benvido se lembra de ter sentido a arma apontada para a sua cabeça quando ele estava de costas para o assaltante. “Não anunciaram assalto. Ele disse para eu passar a arma, pois sabia que eu tinha uma no bolso. Ficou perguntando se eu queria morrer. Ao levantar a blusa para lhe entregar a arma, ele viu o meu distintivo. Realmente pensei que morreria naquela hora, pois eu sei que bandido que mata policial vira herói no bando”.

O assaltante continuou ameaçando o policial, mas decidiu algemá-lo e roubar a arma. Na verdade, o que o criminoso realmente queria era encontrar jóias e objetos de valor na casa dos donos da casa de carne, que ficava atrás do estabelecimento.

“Eu sabia que o dono tinha uma arma e eu queria que ele reagisse, mas não dava, porque estavam em dois. Seria perigoso. Além disso, havia um segurança do outro lado da rua que ficou o tempo inteiro no celular e depois, ao perceber o que estava acontecendo, fugiu. Ele não fez nada”, acusa.

Após roubar o local, o assaltante saiu correndo em direção à moto, que já estava preparada para a fuga. “Foi nesse momento que os dois rapazes saíram correndo para tentar impedir que os bandidos fugissem. A moto já estava em movimento e o ‘garupa’ começou a atirar por cima do ombro. O filho e o irmão da dona foram atingidos”.

O policial afirma que, após o assalto, ele passou por situações desagradáveis com os colegas de profissão. “Sabe o tal do bullying? Pois é, estou sofrendo com isso. Sinto as piadinhas pelo fato de eu ter sido rendido. Mas isso não me incomoda. O que me deixa triste é o que os assaltantes fizeram com os dois rapazes”, lamenta.

José Benvindo garante que recorda muito bem do rosto do criminoso. “O que estava na moto não tirou o capacete em nenhum momento. Porém, o que nos rendeu eu sei como é. Se eu encontrá-lo, não vou deixar escapar de novo”.

Comerciante pensou que assalto fosse uma pegadinha

Alecsander da Cruz afirma que o comércio dele já foi assaltado cinco vezes. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
Alecsander da Cruz afirma que o comércio dele já foi assaltado cinco vezes. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

Experiências traumatizantes como sentir a vida por um triz. O medo das vítimas de assalto e a sensação de insegurança são reais. Os comércios são um dos principais alvos dos criminosos.

Localizado na Vila Ivonete, o comércio de Alecsander da Cruz, inaugurado pelo avô dele há mais de 40 anos, já foi assaltado 5 vezes. A última foi há 3 anos. Ele e um amigo de infância estavam no local conversando por volta das 18h, quando dois homens sob uma moto chegaram. Um deles anunciou o assalto.

“Nós dois pensávamos que era brincadeira. Ele estava apontando uma arma pra gente. Eu pensei que fosse amigo dele. Já meu amigo pensou que aquele assaltante fosse algum amigo meu fazendo uma pegadinha. O cara começou a ficar ignorante pelo fato de a gente não estar acreditando. Bateram no meu amigo, fizeram um ‘limpa’ no caixa e foram embora. Tive um prejuízo em torno R$ 1.500″, recorda Alecsander.

O técnico em informática, Jefferson da Silva Moura, 36 anos, além de cliente, era também o amigo de Alecsander. Ele foi vítima da fúria dos assaltantes.

“Mandaram a gente deitar no chão. Pegaram a minha aliança de noivado e bateram muito em mim. Pensei que ia morrer, porque ele encostou o cano do revólver na minha nuca e tremia muito. Ele estava nervoso. Pensei que ele iria me matar e só faltavam dois meses para o meu casamento. Passou um filme da minha vida pela cabeça”, lembra.

Após a fuga dos assaltantes, as vítimas procuraram ajuda, mas tiveram uma desagradável surpresa. “Fomos à delegacia perto do bairro Universitário naquele dia e o atendente disse que aquilo não era uma emergência, pois a gente estava vivo”.

Na época, Jefferson trabalhava como segurança à noite, mas precisou pedir afastamento devido ao trauma. “Fiquei muito abalado. Quando chega alguém diferente aqui no comércio de moto, já fico paralisado”, declara.

“Já arrombaram três vezes seguidas meu quiosque”, diz comerciante

Apesar de o local contar com a Polícia Comunitária e ficar em frente ao batalhão da PM, assaltos ainda acontecem. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
Apesar de o local contar com a Polícia Comunitária e ficar em frente ao batalhão da PM, assaltos ainda acontecem. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)


BRUNA MELLO

Proprietário há 15 anos de um quiosque, localizado na Praça do Relógio, no Centro de Rio Branco, Denis Lopes, de 30 anos, conta que seu estabelecimento foi invadido várias vezes. Só em 2014, arrombaram os quiosques três dias seguidos. “Levaram microondas, sanduicheira e garrafa térmica. Eles entraram pelo forro e também arrombaram a porta”, disse.

Mesmo localizado em frente ao batalhão da Polícia Militar, os criminosos não se sentiram ameaçados. Lopes conta que já aconteceu um arrastão no local. Todos os 16 quiosques foram invadidos. Recentemente, o alvo dos bandidos foi o ponto de táxi localizado na praça, o bebedouro foi levado e a televisão danificada. “Eles tentaram levar a TV, mas como não conseguiram porque fica na grade. Eles quebraram”, contou Lopes.

Os quiosques são protegidos pela Polícia Comunitária, mas, segundo o proprietário, a ajuda é quase inexistente. “Eu aciono logo o Ciosp. Eu entro em contato com a Polícia Comunitária e eles dizem que não podem me ajudar porque ‘eles prendem e depois de algumas horas os bandidos são soltos”, relatou.

Após diversas invasões, Lopes tomou algumas medidas quanto à segurança do estabelecimento. Por exemplo, o forro tem várias camadas de madeira, telhas e fiação elétrica. Curiosamente, durante um dia de chuva, ele percebeu muita infiltração no local e, mais uma vez, descobriu que seu quiosque tinha sido alvo de criminosos. “Levaram até as telhas”, completou.

O ano de 2014 foi difícil para os proprietários dos quiosques da Praça do Relógio com arrastões e invasões constantes. Dênis conta que com a chegada da Zona Azul, estacionamento rotativo, a maioria dos “noiados” e bandidos foram desaparecendo das proximidades. “Este ano está mais tranquilo, mas ainda acontece”, concluiu.

A conversa no lanche da praça chama a atenção de quem está próximo e, logo, muitas histórias de assaltos, furtos e invasões vão surgindo. Histórias que, se não fossem trágicas, seriam cômicas. De longe, um rapaz comenta: “entraram na minha casa, levaram meu tapete novinho, enrolaram e chegaram até a brincar de vestir. Depois colocaram nas costas e sumiram”, disse o anônimo.

“Nem paz para trabalhar nós temos aqui”, lamenta comerciante da Baixada da Sobral

Sebastião Pinho conta que possui vários cadeados quebrados, fruto da tentativa dos assaltantes em entrar no comércio durante a noite. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
Sebastião Pinho conta que possui vários cadeados quebrados, fruto da tentativa dos assaltantes em entrar no comércio durante a noite. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

 

BRUNA LOPES

“Parecia um dia comum, quando um cliente entrou e escolheu vários cortes. Quando estava somando para dar o preço final, uma moto invadiu o local e ao mesmo tempo o tal cliente puxou uma arma e apontou para minha cabeça, enquanto o comparsa guardava as carnes no baú da moto e saíram”, lembra o proprietário do pequeno açougue, Sebastião Pinho, de um dos vários assaltos que já sofreu.

O açougue localizado na rua principal da Baixada da Sobral, é a única fonte de renda de Sebastião para manter a família que mora nos fundos do estabelecimento. Em outra oportunidade, os assaltantes trancaram a esposa no banheiro e agrediram fisicamente o açougueiro.

“Foi uma humilhação sem tamanho. Sou um pai de família e fui pisado pelos bandidos. Em outro assalto perdi mais de R$ 1 mil. Nesse, eles também foram bem violentos”, falou Sebastião, com a voz embargada.

Desde então, o comerciante afirma que faz uma espécie de vigilância noturna. “Fico acordado de madrugada na tentativa de impedir outra invasão. Já perdi as contas dos cadeados que os bandidos já quebraram tentando entrar. Nem paz para trabalhar nós temos aqui. Todos os outros comerciantes também reclamam dos assaltos na região”, confirma Sebastião.

Sobre os bandidos, Sebastião diz conhecer todos. “São moradores dos bairros próximos. Eles entram e saem de cara limpa”, aponta.

Em parte dos assaltos que sofreu, Sebastião conta que chamou a polícia. “Em um dos casos, a viatura chegou quase uma hora depois dos bandidos terem ido embora. É um sistema muito burocrático ligar para o 190 e pedir ajuda nesses casos. No fim, não me ajudou em nada”, lamenta o comerciante.

Atividade suspeita antes da entrevista
Sebastião Pinho destacou que antes da equipe de reportagem de A GAZETA chegar ao estabelecimento, identificou uma atividade suspeita de um rapaz que passou diversas vezes em poucos minutos em frente ao açougue.

“Inclusive, me dirigi até a porta para não ser surpreendido”, disse Sebastião. A entrevista ocorreu do lado de fora do estabelecimento, sem maiores problemas.

“Fui trabalhar, quando voltei no fim da tarde minha casa estava com a porta aberta e tudo revirado”
Durante a entrevista no açougue, Francisco da Silva pediu para relatar sua história. Morador da Baixada da Sobral há quase 30 anos, ele contou à equipe de reportagem de A GAZETA que recentemente ao voltar do trabalho no fim da tarde, encontrou a porta de casa aberta.

“Foi um susto tremendo porque moro sozinho. Ao entrar em casa, percebi que tudo estava revirado. Os bandidos levaram roupas e aparelhos de eletrodomésticos. Não tinha muita coisa, mas eles levaram o pouco que tinha. É uma sensação muito ruim. Sou idoso e ainda trabalho para me manter e acontece uma coisa dessas. Estou praticamente com a roupa do corpo, é muito difícil. Porque os vizinhos não viram nada. Como chamar a polícia se não sei que horas e como entraram lá em casa?”, lamentou Francisco.

Após sofrer oito assaltos, comerciante investe R$ 15 mil em segurança

Comerciante investiu em cabine de segurança para se proteger dos criminosos. (Foto: ODAIR LEAL/AGAZETA)
Comerciante investiu em cabine de segurança para se proteger dos criminosos. (Foto: ODAIR LEAL/AGAZETA)


BRUNA LOPES

O comerciante Gean Rocha, proprietário de um pequeno mercado no bairro Bosque, contabiliza o número impressionante de oito assaltos, sem contar os furtos e as invasões. Apenas nas primeiras vezes foram realizados boletins de ocorrências. Após perceber que não adiantava, ele resolveu fazer uma reforma na tentativa de se proteger dos bandidos.

No total foram investidos R$ 15 mil na nova estrutura e sistema de alarme no caixa do estabelecimento. “Aqui dentro me sinto mais seguro. Quem está do lado fora não me vê”, afirma Gean. E continuou: “Vivia com medo. Qualquer cliente que entrava eu imaginava o pior. Não dava para trabalhar”, recorda o comerciante.

A situação mudou quando Gean identificou que os arrombamentos e furtos que ocorriam dentro do estabelecimento eram praticados por uma mesma pessoa. “Aí sim, quando identifiquei o meliante, chamei a polícia e, desde então, nunca mais o vi pelo bairro. Aí a minha paz voltou, mas não por completo, porque outros bandidos continuam nas ruas, tirando a tranquilidade de quem ganha a vida honestamente”, desabafa o comerciante.

Por medo, família assaltada deixa casa

Nem mesmo a cerca elétrica e os muros altos impediram a invasão dos criminosos. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
Nem mesmo a cerca elétrica e os muros altos impediram a invasão dos criminosos. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)


BRENNA AMÂNCIO

Outro assalto audacioso foi no bairro Alto Alegre a uma residência na noite do domingo passado, dia 6. Homens armados invadiram a casa, renderam a família, roubaram, prepararam comida na cozinha e ainda deram dicas de segurança para as vítimas.

Foram quatro horas e meia sob a mira dos criminosos. O bando levou dinheiro, relógios, celulares, a caminhonete do casal, além de duas malas e algumas sacolas com roupas.

O mais curioso é que a mesma casa havia sido assaltada há dois dias. A família suspeita que os criminosos da sexta-feira e do domingo seriam os mesmos.

Nem mesmo o muro, as fechaduras e a cerca elétrica puderam impedir a invasão.

A equipe do jornal A GAZETA tentou entrar em contato com a família. No entanto, eles permanecem sem celular. Uma semana depois do assalto, a casa parece abandonada. Ninguém atende a porta. Apenas uma corrente enorme com cadeado trancando o portão e um cachorro ficaram para trás. De acordo com uma vizinha, a família não ‘fica’ mais na casa. “Eles só vêm à noite para dormir e vão embora bem cedinho”, disse.

Momentos traumáticos podem ocasionar transtorno do pânico

BRUNA MELLO

Momentos de pânico e terror vividos pelas vítimas durante assaltos e invasões a residências, por exemplo, podem deixar sequelas para o resto da vida. Segundo o psicólogo, Rodolfo Nascimento, momentos estressantes deixam marcas, mesmo que no inconsciente da pessoa. “Dependendo da situação e o que ela significou para a pessoa, pode sim gerar um trauma muito grande. Pode até adquirir o transtorno do pânico, fobia social, depressão, e outros”, explicou.

O psicólogo afirma que é uma situação muito grave e que o desenvolvimento ou não do transtorno é definido, principalmente, pelo emocional da pessoa, de como a vítima lida com o ocorrido. “O ideal é que essa pessoa procure um profissional, um psicólogo. A pessoa vai conversar, falar sobre aquele evento e ela pode resinificar aquilo e tirar aquele trauma de si”, afirmou Nascimento.

De acordo com o psicólogo, o acompanhamento de um profissional é necessário para pessoas que passam por situações fortes de pânico e terror. “A terapia é muito importante. Em algumas situações é preciso o acompanhamento de um psiquiatra para medicar, em casos de depressão, por exemplo. O tratamento psicológico é primordial nessas situações graves de assalto e violência. No Brasil estamos vivendo um momento muito violento, as pessoas vivem no terror emocional”, concluiu Nascimento.

Delegado dá dicas de segurança para evitar assaltos em residências e comércios

Delegado de Polícia Civil Karlesso Nespoli critica sistema penitenciário. (Foto: ODAIR LEAL/AGAZETA)
Delegado de Polícia Civil Karlesso Nespoli critica sistema penitenciário. (Foto: ODAIR LEAL/AGAZETA)

BRUNA MELLO

Em entrevista exclusiva ao jornal A GAZETA, o delegado de Polícia Civil, da Divisão de Investigações Criminais (DIC), Karlesso Nespoli, faz algumas recomendações à população e dá dicas de seguranças de como evitar assaltos a residências e comércios. No Brasil, uma pesquisa realizada em 2013, já apontava que o número de assaltos era pelo menos duas vezes maior que a média. A pesquisa, chamada de Better Life Initiative (Iniciativa Vida Melhor), apontou que 7,9% das pessoas entrevistadas foram vítimas de assaltos nos últimos 12 meses.

No Acre, os últimos levantamentos de ocorrências registrados pelo Centro Integrado de Ensino e Pesquisa em Segurança Pública (Ciosp), aponta que no mês de agosto houve uma redução no número de ocorrências registradas, se comparado ao mesmo período de 2014. Contudo, nos últimos dias uma onda de assalto invadiu Rio Branco, atingindo comércios e residências.

O delegado Nespoli explica que o número de criminosos reincidentes é muito alto. Cerca de 70% das pessoas que têm passagem pelo presídio voltam a cometer crimes. Benefícios como semiaberto (saídas temporárias do regime fechado) e ainda visitas à família assegurada pela Lei de Execuções como no Natal e Ano Novo, cooperam para que os presos continuem na vida do crime.

Nespoli lembrou que a juíza Luana Campos, da Vara de Execuções Penais, liberou quase 400 presos por falta de energia e deixou a Segurança Pública em alerta. “Quantos trabalhadores passam o dia inteiro batendo enxada no sol quente e moram em uma casa paupérrima, que não possui nem ventilador?”, questiona o delegado.

Durante a entrevista, dois mandados de prisão passaram pelas mãos do delegado e, para exemplificar, ele esclareceu os dados anteriores: “Olha aqui, esses dois homens foram presos não tem nem um ano e já estamos em busca para prender novamente”, disse Nespoli.

Hoje, a DIC conta com nove investigadores para atender toda a demanda da Capital. Apesar de uma equipe pequena, o delegado conta que um inquérito é encaminhado para a Justiça. Somente em 2015, mais de 180 inquéritos foram encaminhados. “Nós temos 100% de resolução dos latrocínios cometidos por maiores de 18 anos. Nós temos também esse grande problema, essas pessoas que cometem crimes de maneira habitual e estão em liberdade”, afirmou o delegado de polícia civil.

Dicas de segurança
Para evitar invasões seguidas de assaltos em residências e comércios, algumas recomendações são válidas e devem ser colocadas em prática. O delegado Nespoli explica que a primeira recomendação e, mais importante é: “Evitar guardar grande quantidade de dinheiro em casa e, se manter, não sair falando para todo mundo”, diz. Ele conta que, na maioria dos casos, existe algum conhecido da vítima envolvido no crime, alguém que conhece a rotina da família e sabe da existência do dinheiro.

De acordo com o delegado, a Polícia Militar do Acre (PM/Ac) é a única que oferece o serviço de escolta gratuitamente. É preciso apenas fazer o agendamento prévio e seguir as instruções. “Grande volume de dinheiro deve ser guardado no banco”, aconselha.

A segunda dica é: sempre observar as pessoas que circulam na frente da sua casa. Em caso de movimentação estranha, acionar a polícia através do 190. Outra recomendação do delegado é: manter contato com os vizinhos. “Às vezes, o vizinho vê uma atitude suspeita que você não viu. Se você não tem relação nenhuma com ele, vai ser difícil ele avisar”, disse Nespoli.

A terceira recomendação, principalmente para as famílias, é manter portas, janelas e portões bem trancados, sobretudo no período noturno. “Eles aproveitam a hora que você não tem vigilância para entrar na casa”, completou o delegado de Polícia Civil.

Direcionada às empresas, a última dica de segurança do delegado é fazer o pagamento dos funcionários através de transferência bancária e, nunca guardar dinheiro no interior da empresa. “É muito mais fácil o seu funcionário abrir uma conta e você fazer a transferência do que correr riscos”, conclui Nespoli.

 

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