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Com o sonho de engravidar, mulher começa campanha pelo direito de ser mãe

Kamila já gastou até R$ 10 mil em exames e medicamentos. (Foto: ARQUIVO PESSOAL)
Kamila já gastou até R$ 10 mil em exames e medicamentos. (Foto: ARQUIVO PESSOAL)

Após buscar tratamento para engravidar no Sistema Público de Saúde (SUS) e privado, e encontrar obstáculos, a produtora cultural Kamila Costa, 31, começou a buscar apoio para construção de políticas públicas para garantir o direito à maternidade. Ela publicou na sua página de Facebook um desabafo da longa caminhada dela, que já dura cinco anos e foi então que nasceu a campanha Toda Mulher Tem o Direito de Ser Mãe.

A publicação tem mais de mil curtidas, centenas de compartilhamentos, comentários, e recentemente ganhou repercussão nacional. Um blog de São Paulo também está apoiando a campanha. Muitas acreanas aderiram ao movimento. Para Kamila, a repercussão foi uma surpresa. “Várias pessoas que eu não conhecia começaram a entrar em contato comigo, um partido político também me procurou para inserir o assunto na pauta política. Eu não esperava toda essa repercussão, foi uma surpresa”, disse.



A produtora cultural foi diagnosticada com síndrome do ovário policístico e endometriose, doenças que atingem cerca de 10% das brasileiras. Essas doenças são caracterizadas por dificultarem a gravidez, porém possuem tratamento.

Kamila já gastou cerca de R$ 10 mil com exames e medicamentos e, quando procurou o sistema público, descobriu que são oferecidos apenas medicamentos contraceptivos e tratamentos indutores, indicado para mulheres que tem apenas dificuldade de engravidar. “Se uma mulher tem uma condição piorada, como eu e outras mulheres, tem uma doença, ela fica desamparada, o governo não ampara”, contou.

Em 2013, Kamila engravidou, mas não conseguiu segurar o bebê. “Na verdade foi uma gravidez anembrionária, uma gravidez que o embrião não se desenvolve. Ele se desenvolve até certo ponto aí para”, explicou. Após uma curetagem malfeita, Kamila teve o útero colado, o que dificulta ainda mais o processo de engravidar.

Para a produtora cultural, o apoio e incentivo das mães têm aumentado sua vontade de “experimentar esse amor materno”. Além disso, ela conta que ver a campanha ganhando apoio e repercussão é gratificante. “Eu sei que não estou sozinha, eu vejo que minha dor não é só minha, é de outras pessoas”, completou Kamila.

Decidida, Kamila afirma que irá fazer uma fertilização, procedimento que custa R$ 16 mil, sem contar os gastos com passagem, hospedagem, alimentação e transporte fora do Estado. A produtora resume seu sonho de ser mãe como o desejo de toda mulher.

“Na nossa educação, desde criança, minha brincadeira preferida foi brincar de boneca, e eu não vejo minha vida sem ser mãe. O que depender de mim para esse sonho ser realizado, ele vai ser feito. Todos os recursos que estiverem ao meu alcance eu vou atrás. Agora vai depender da vontade de Deus querer conceder ou não”, concluiu determinada, Kamila Costa.

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