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Mostra Nacional da Oi Kabum! reúne produções artísticas de jovens de comunidades populares

Mostra Oi Kabum! Rio reúne arte e tecnologia e deve se estender até o dia 4 de outubro. (Foto: Tiago Martinello/ A GAZETA)
Mostra Oi Kabum! Rio reúne arte e tecnologia e deve se estender até o dia 4 de outubro. (Foto: Tiago Martinello/ A GAZETA)

A Mostra Nacional da Oi Kabum! começou na última segunda-feira, 31 de agosto, no Rio de Janeiro. O evento intitulado Comover, que vai até quatro de outubro, expõe 55 obras de alunos da escola baseados em arte e tecnologia.

A escola Oi Kabum!, onde o evento é realizado, fica na sede do Oi Futuro Ipanema, na Zona Sul da capital carioca. A exposição mostra ao público produções originais de jovens de comunidades populares.



Os trabalhos conseguem atingir reações distintas dos visitantes. Risos, comoção, questionamentos e admiração. A arte misturada à tecnologia é usada pelos jovens para transmitir alguma mensagem ao público.

A mostra é composta por vídeos, projeções gráficas, pinturas, fotografias, desenhos, livros, dentre tantas outras formas de arte.

Além do Rio de Janeiro, o evento reúne o trabalho de jovens de outras três cidades onde a Oi Kabum! já existe: Belo Horizonte, Recife e Salvador. É importante ressaltar que nesses outros locais também acontecem exposições com alunos de todas as escolas, como uma forma de intercâmbio.

Os interessados em conhecer as produções artísticas e tecnológicas têm até o dia 4 de outubro. A mostra de 12 anos da Oi Kabum! no Rio de Janeiro é aberta ao público.

Uma escola que transborda arte e tecnologia

Pra Cima é um dos projetos fotográficos de uma aluna moradora da comunidade
Pra Cima é um dos projetos fotográficos de uma aluna moradora da comunidade

A Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia é fruto de uma parceria entre o Oi Futuro e o Centro de Imagem Popular (Cecip). A aprendizagem dos alunos acontece por meio de projetos coletivos, criação de produtos culturais, exposições e intervenções públicas.

A Oi Kabum! trabalha com foco em quatro áreas: fotografia, vídeo, design gráfico e computação gráfica.

Para fazer parte dessa escola, alguns requisitos são levados em consideração, como, por exemplo, o jovem ter interesse por arte e sempre ter estudado em escolas públicas cariocas, no caso da Oi Kabum! do RJ.

A primeira fase de inscrição da escola é online. Com isso, 180 jovens são selecionados para fazer a Oficina Clique. Nessa etapa, o aluno já é capacitado e a equipe observa qual deles realmente poderá prosseguir na instituição.

Ao término da oficina, 60 pessoas são selecionadas para um dos quatro cursos oferecidos pela Oi Kabum! com duração de 9 meses.

As aulas acontecem diariamente, das 8h ao meio-dia. Alguns jovens chegam a sair de sua comunidade às 4h da manhã para não perder a aula.

A prova final dos estudantes é a elaboração de um projeto para exposição. Esses trabalhos são, geralmente, cheios de identidade e significados.

Com a conclusão do curso, o jovem é encaminhado ao Núcleo de Produção, que desenvolve projetos e produtos nas áreas de atuação da Oi Kabum!

As escolas constroem parcerias com órgãos públicos e com a sociedade civil, promovem editais internos e externos, com o objetivo de disseminar a metodologia da instituição e influenciar políticas públicas que articulem educação, arte e tecnologia.

Já são 12 anos de Oi Kabum! com dezenas de turmas de profissionais formados e prontos para atuarem no mercado de trabalho.

Em comemoração ao aniversário, um livro está sendo elaborado por um aluno com a história da instituição. O lançamento está previsto para o dia 28 deste mês.

Os presentes que falam: a criatividade dos alunos

Então é Natal é uma curta  animação audiovisual  que critica o consumismo no final do ano. (Foto: Tiago Martinello/ A GAZETA)
Então é Natal é uma curta
animação audiovisual
que critica o consumismo no final do ano. (Foto: Tiago Martinello/ A GAZETA)

Os cursos da Oi Kabum! duram cerca de nove meses. E no final deles há um último grande desafio para os alunos. Eles precisam apresentar um trabalho relacionado à área de atuação do seu curso. Um tipo de TCC. Só que ao invés de submeter este trabalho a uma banca, o público é o grande avaliador dos estudantes, em uma feira que reúne todos os projetos. O trabalho de Felipe França, 22 anos, e seu grupo teve uma boa recepção nesta feira. Tanto que eles decidiram, após muito incentivo de professores e da Oi Kabum!, levar o projeto adiante.

A ideia do grupo de Felipe se chama ‘Então é Natal’. Trata-se de uma curta animação audiovisual que usa o humor e o sarcasmo para tecer uma crítica divertida sobre os excessos do consumismo na época de final de ano.  Uma paródia que usa presentes animados que cantam musiquinhas natalinas clássicas, adaptando as letras para que os presentes façam o público repensar sobre o verdadeiro significado da data. Para que as pessoas não se deixem levar pelo lado industrial.

“É um projeto totalmente sem grandes custos, que começou como uma brincadeira e agora, para expor aqui, estamos readaptando. Foi um trabalho muito bom de se fazer e que somou muito conhecimento para todos nós”, comentou Felipe, que já se formou na Oi Kabum! e hoje faz faculdade de Publicidade na PUC. O rapaz é um dos colaboradores para a exposição Comover.

Felipe e seu grupo fizeram este trabalho montando os presentes e o cenário natalino com materiais simples, depois projetaram os rostos animados de seus personagens. Escreveram as letras e eles mesmos cantaram, distorcendo suas vozes com programas de áudio para ficarem mais engraçadas. Todas técnicas que aprenderam no curso, e usaram conforme sua criatividade.

O projeto do ‘Então é Natal’ faz parte da exposição de 12 anos da Oi Kabum!, junto com outros 54 trabalhos (alguns bens interessantes são: Foco Vermelho; Pra Cima; Sal de Prata; Seu Lixo, Meu Trabalho; entre muitos outros). Outro participante que está ajudando em todos estes projetos da Comover é Jackson Boaventura. Ele se formou em Design Gráfico e conta que o que aprendeu do curso.

“Foi uma verdadeira escola de vida pra mim. Aprendi muitas coisas que vou levar para sempre no meu perfil profissional. Seja do curso ou da convivência e relação com as pessoas. A escola foi como uma casa pra mim, e acho que despertou meus maiores potenciais”, contou Jackson.

Trocando um futuro incerto por uma chance real no mercado de trabalho

Os alunos da Oi Kabum! elaboram seus próprios projetos cheios de identidade e significados para exposição. (Foto: ARQUIVO OI KABUM! RIO)
Os alunos da Oi Kabum! elaboram seus próprios projetos cheios de identidade e significados para exposição. (Foto: ARQUIVO OI KABUM! RIO)

Se não estivessem nas salas de aula dos cursos da Oi Kabum!, aprendendo e desenvolvendo seus potenciais, onde estariam os jovens estudantes? Talvez nas ruas, talvez ociosos em casa sonhando com oportunidades maiores ou quem sabe até prestes a se afundar em um caminho sinuoso na vida. Estas são as sinas que o projeto visa combater nas quatro capitais onde atua. A educadora da escola Oi Kabum! do prédio do Oi Futuro de Ipanema/RJ da área de vídeo e uma das organizadores da exposição Comover, Noale Toja, fala sobre esta perspectiva de resgatar o jovem de um destino incerto e colocá-lo em condições de lutar por seu espaço no mercado de trabalho.

De acordo com ela, os jovens selecionados encontram na Oi Kabum! uma espécie de família. E mesmo quando eles se formam nos cursos e passam pelo núcleo de produção (uma metodologia de pós-formação, que serve para acompanhar o aluno, impedindo que ele fique parado e até o fazendo criar contatos e fazendo trabalhos remunerados para empresas. O jovem segue sendo orientado e pode até conquistar uma vaga de trabalho após este núcleo), eles continuam indo ao prédio de Ipanema, participando das ações (é o caso de Felipe e Jackson) e usando a estrutura do lugar para realizar seus projetos, trocar ideias e garantir o intercâmbio profissional.

Noele Toja defende que este método de ensino da Oi Kabum! é uma espécie de revolução da escola tradicional, pelo forte apelo de inserção social e digital dos estudantes. Ela também frisa que, através dos cursos, os estudantes ficam mais preparados para encontrar a sua identidade enquanto pessoas e enquanto profissionais. “Muitos chegam aqui sem saber direito o que fazer e os cursos abrem seus olhos. Depois, a maioria vai para a faculdade. Outra parte trabalha com produtoras independentes. Eles sempre se encontram. Dificilmente vemos casos de jovens que passam por aqui e depois não levam adiante os aprendizados”, concluiu a educadora.

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