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Da máquina de escrever ao computador: duas gerações e muitas histórias

Clodoaldo Melo é funcionário do jornal A GAZETA desde 1998 e guarda muitas histórias. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
Clodoaldo Melo é funcionário do jornal A GAZETA desde 1998 e guarda muitas histórias. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

Há 30 anos o jornal A GAZETA coleciona funcionários que acompanharam praticamente toda sua trajetória. A evolução dos equipamentos, o pontapé inicial da tecnologia na empresa e, guardam também muitas histórias para contar. Engana-se quem acha que o processo de produção do impresso termina após a edição. O jornal só estará efetivamente terminado quando for entregue ao assinante, na casa dele. São 30 anos de história que unem mais de 30 funcionários.

Funcionário desde 1998, Clodoaldo Melo, de 55 anos, começou sua história no A GAZETA na função de digitador/compositor. A princípio, o instrumento utilizado era a Composer, uma máquina que pode ser definida como ancestral dos modernos computadores. “Era tipo uma máquina fotográfica. Você ia digitando e dentro dela ia filmando o que você digitava. Parecia uma máquina de revelar filme”, detalha.



Na época, o jornal era todo escrito na Olivetti, conhecida popularmente como máquina de escrever. “Nós transformávamos todo o material do jornal em filme (o fotolito), para poder montar as páginas. As laudas com o material passavam por mim de novo, para eu digitar e transformar em filme. Depois disso, o material passava para o montador, era tudo recortado e montado, página por página”, explica Melo.

Clodoaldo acompanhou o processo de informatização da empresa, quando as máquinas de escrever foram sendo substituídas pelos computadores. No Brasil, os primeiros computadores surgiram por volta de 1975, porém, os modelos eletrônicos só começaram a se popularizar por volta do ano 2000. E, o Acre acompanhou a popularização na mesma época.

O ainda digitador lembra que com a evolução da tecnologia surgiu o diagrama, esquema que colabora com o trabalho realizado pelos diagramadores do jornal. “O tempo de produção diminui, tudo ficou mais rápido”, recorda Clodoaldo, que destaca ainda que acompanhar toda a evolução do jornal foi algo que marcou sua história.

Depois de alguns anos, Clodoaldo Melo assumiu o cargo de chefe de oficina, mas, mesmo com a mudança de função, ele continuava fazendo a digitação do conteúdo, além de supervisionar as demais atividades. Foi quando chegou a máquina Composer digital, que funcionava como um microcomputador, e também o fotolito colorido. Até então o jornal era todo preto e branco.

Atualmente, o processo de impressão do jornal é totalmente a laser, o que facilita ainda mais o método de produção dos exemplares. Clodoaldo resume sua trajetória no jornal A GAZETA: “Hoje, com a tecnologia, tudo é mais fácil. Antes demorávamos horas e horas para realizar o mesmo trabalho. Tudo é mais fácil e rápido. O jornal A GAZETA é a minha família. Aqui tem muitas pessoas que me acompanharam, principalmente nas horas difíceis”.

Hoje, Clodoaldo é gerente industrial da empresa e conta que várias vezes se deparou com situações difíceis. Ele recorda que por diversos momentos pensou que o jornal do dia não seria concluído, pois a máquina de impressão apresentava defeitos. “Uma coisa interessante, na época, era que alguns repórteres achavam que o jornal só era feito na redação, mas o coração do jornal é a oficina, sem ela o jornal não existe. Não adianta você preparar todo o jornal se ele não for impresso. Só está concluído quando você vê o jornal nas bancas”, explicou.

O gerente industrial lembra ainda que, alguns repórteres fizeram greve, porém, a circulação do impresso continuou. Na época, o jornalista Silvio Martinello e Roberto Vaz prepararam todo o conteúdo do jornal. “Eles escreveram tudo e como a oficina estava funcionando o jornal circulou, e a greve dos repórteres furou. Nós somos uma equipe e cada pessoa tem uma função importante”, concluiu Clodoaldo Melo.

NOVA GERAÇÃO

“A curiosidade pode levar a pautas incríveis”, diz Bruna. (Foto: Arquivo pessoal)
“A curiosidade pode levar a pautas incríveis”, diz Bruna. (Foto: Arquivo pessoal)

A história do A GAZETA foi construída com a colaboração de muitos jornalistas, repórteres, editores, diagramadores, além de todas as outras funções. Todos unidos com o mesmo objetivo: levar o melhor conteúdo ao leitor. A rotatividade entre os repórteres é grande, novos talentos estão sempre aparecendo. É o caso da jornalista Bruna Lopes, há pouco mais de dois anos trabalhando neste impresso. Ela conta que todos os dias aprende algo novo. “Os personagens, as histórias, o lado bom e o lado ruim do ser humano são apresentados para mim durante as pautas”, disse.

Lopes nunca se imaginou em outro ramo da comunicação, a não ser o jornal impresso. Apesar da teoria aceita por muitos de que o jornal de papel vai acabar, a jornalista afirma não acreditar nessa hipótese. Para ela, fazer parte da equipe A GAZETA é um privilégio. “A GAZETA para mim, sempre foi referência desde a academia, mesmo trabalhando em outras empresas. Pela história, pela linha editorial, pelo carinho, zelo e união da equipe, sem exceção, que trabalha, diuturnamente, para levar a boa informação ao leitor”, relata.

Quando questionada qual pauta marcou sua trajetória no impresso, Lopes afirma que a cobertura da enchente história do Rio Acre, no começo de 2015, foi marcante. “Foi impressionante acompanhar o trabalho do Corpo de Bombeiros para retirar famílias atingidas pelas águas”. A jornalista acrescenta ainda a história de uma mãe que, para lidar com a dor de perder a filha, promove ações sociais em bairros carentes de Rio Branco. “A força dessa mãe me impactou”, declara.

A rotina da repórter começa no dia anterior. Antes de dormir, ela confere as notícias e filtra aquelas com maior potencial, para levar como sugestão de pauta para o dia seguinte. Na redação, ela recebe outras pautas sugeridas pelo editor e vai para rua, em busca de informações e imagens.

“Lá é onde as coisas acontecem. Uma imagem vira matéria. Uma conversa que você ouve sem querer na rua pode virar matéria. Converso com pessoas de opiniões diferentes da minha, converso com pessoas invisíveis para a sociedade. Percebo que as pessoas têm essa necessidade de falar, independente da realização da matéria. Volto para redação e escrevo três ou mais textos”, descreve Lopes.

Por fim, Lopes fala do orgulho de fazer parte da família A GAZETA e da oportunidade de celebrar os 30 anos de atuação no jornalismo do Acre. “Jornalista nunca sabe de tudo no mundo. A curiosidade pode levar a pautas incríveis. É uma honra  contar e participar dessa bonita história”, conclui a repórter.

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