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Movimento Compre de Pequenos Negócios é sucesso no Acre

Alguns pequenos produtores faturam R$ 400 por semana com as vendas. (Foto Odair Leal/ A GAZETA)
Alguns pequenos produtores faturam R$ 400 por semana com as vendas. (Foto Odair Leal/ A GAZETA)

Cinco de outubro é o Dia Nacional do Movimento Compre de Pequenos Negócios. Também é o dia em que foi instituído o Estatuto da Micro e Pequena Empresa. A intenção do Movimento é estimular a sociedade a consumir produtos e serviços fornecidos por micro e pequenas empresas. A iniciativa é do Sebrae e pretende usar a força dos pequenos negócios para fortalecer a economia. No Brasil, mais de 10 milhões de empresas faturam no máximo R$ 3,6 milhões por ano, o que caracteriza micro e pequenas empresas.

Segundo a gerente da Unidade de Orientação Empresarial do Sebrae/AC, Soraya Neves, este momento de crise que o país está vivendo é propício para incentivar e fortalecer a economia. “Todo dia é de comprar do pequeno negócio, mas dia 5 de outubro convidamos toda a população a participar do movimento”, disse.



A campanha de mobilização começou no dia 21 de setembro e terminou no dia 26. Durante esses dias, foram realizadas palestras, distribuição de material educativo, mobilização com artistas populares, orientação e conscientização da importância do movimento. Tudo para preparar os empresários para atender ainda melhor o cliente. “Nós o preparamos para oferecer um preço melhor, um atendimento de qualidade, pois é preciso estar preparado para atender o consumidor”, explicou Neves.

A gerente destacou que o movimento enumerou cinco razões para comprar dessas empresas, são elas: 1 – É perto da sua casa; 2 – É responsável por 52% dos empregos formais; 3 – O dinheiro fica no seu bairro; 4 – O pequeno negócio desenvolve a comunidade; 5 – Comprar do pequeno negócio é um ato transformador. Ela acrescentou, ainda, que ‘contribui para reduzir a emissão de gases poluentes, se é próximo de casa você não precisa se deslocar de carro’.

A expectativa é que os resultados superem o esperado, e que a relação com essas empresas se estenda além do dia 5, e elas passem cada vez mais a fazer parte do cotidiano dos consumidores. “Fizemos um grande chamamento, um grande apelo à população, acredito que vamos ter resultados muito bons”, falou Neves.

As micro e pequenas empresas representam cerca de 95% do total de empresas brasileiras. Essas empresas respondem por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil e por 52% do total de empregos com carteira assinada. “Há 42 anos, o Sebrae prepara o empreendedor para melhorar a gestão das empresas, para que elas se tornem mais eficientes e atendam melhor os consumidores. Agora é a primeira vez que fazemos um movimento para a sociedade, para que as pessoas percebam que ao comprar do pequeno, elas estão melhorando a sua cidade, gerando empregos e ajudando a economia”, ressaltou o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto.

Pequenos produtores e produtos de qualidade
O verde das hortaliças chama atenção de longe. Impossível passar e não parar. Couve, alface, manjericão, hortelã, cheiro verde, cebolinha, uma infinidade de verduras. E tem frutas cultivadas sem agrotóxicos, direto do pequeno produtor, tudo fresquinho.

Trabalhando há 15 anos no Mercado Elias Mansour, o peruano Jorge Nabajjo, 38 anos, cultiva em um hectare de terra todos seus produtos comercializados. Três vezes na semana, quarta, quinta e sexta-feira, o pequeno produtor se desloca da Vila do Incra, Estrada de Porto Acre, até o Centro de Rio Branco. “Venho e volto de ônibus e, aos domingos eu estou no Ceasa com meus produtos”, disse.

A família do peruano é constituída por seis pessoas, a esposa, três filhos e o enteado. Nabajjo conta que aos poucos foi conquistando tudo que tem hoje. Com a renda mensal, proveniente apenas do seu plantio ele conseguiu comprar um carro popular e hoje paga a faculdade de Técnico em Meio Ambiente do enteado. “Eu pago a faculdade do meu enteado só com o lucro da minha horta”, completou. Por semana, o pequeno produtor lucra aproximadamente R$ 400.

Nabajjo reclama que a assistência dado pelo governo não suficiente e, mal distribuída. “Nós vamos nos polos atrás de mangueira, lona e madeira e nunca têm. Eles distribuem para outras pessoas que nem utilizam o material. Nós somos pequenos produtos e independentes, precisamos desse auxílio”, expôs o peruano.

Com a mobilização e campanha realizada pelo Sebrae ‘Compre dos Pequenos Negócios’, o peruano garante que a procura nas feiras aumentou consideravelmente. “Além disso, depois que o governo passou a comprar diretamente dos pequenos produtores também melhorou pra gente. Agora vendemos direto para o consumidor e também para o governo”, explicou Nabajjo.

O peruano garante que apesar da horta ser pequena, a variedade é muito grande e os produtos são todos de qualidade. “É pequeninho mas tem de tudo. O pessoal da Seaprof da Vila do V sempre vão nos visitar sempre e nos dar orientação de plantio e vendas”, afirmou Nabajjo.

“São produtos saudáveis sem agrotóxicos”, disse a pequena produtora
Há apenas três anos trabalhando na venda de hortaliças e frutas na feira, a pequena produtora Maria Rosemira, 46 anos, diz que sustenta os cinco filhos apenas com a venda dos produtos na feira, e com a ajuda do marido que faz ‘bicos’ roçando terrenos. Três vezes na semana, Rosemira faz aproximadamente duas horas de viagem. Uma hora na ida e mais uma hora na volta. “Moro no quilômetro 9 da Estrada de Porto Acre e tenho que trazer todos meus produtos no ônibus”, falou.

A pequena produtora cultiva mamão, limão, pepino, banana, além de hortaliças como cheiro verde e hortelã. Semanalmente Rosemira lucra cerca de R$ 200, dependendo do movimento no mercado. Com a campanha e mobilização do Sebrae, ela garante que percebeu aumento na procura de produtos nas feiras.

“É muito bom. Temos muitas dificuldades de vender, com este incentivo nós garantimos uma renda. Todos nossos produtos são saudáveis sem agrotóxicos”, assegurou Rosemira.

Além de feirantes, o projeto alcança todas as micro e pequenas empresas que ofereçam produtos e serviços. A ideia é incentivar a população a procurar essas pequenas empresas, que representam cerca de 95% das empresas brasileiras.

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