Política nacional 23/03/2016

“É o rito estabelecido pela Constituição, avalizado pelo STF”.
Presidente do PSDB, Aécio Neves, explica legalidade do instrumento de impeachment.

Dilma faz pose de vítima junto a outros governos
À revelia dos diplomatas, que não concordariam em participar da armação, o Palácio do Planalto articula com governos da América do Sul, igualmente populistas, a “denúncia” de que “um golpe” estaria em curso, e não uma grande operação da Justiça Federal que investiga, processa e prende políticos corruptos que atuam à sombra do governo desde 2004, no primeiro governo Lula. Foi tudo combinado. A senha foi da própria presidente Dilma, ao declarar que “há um golpe em curso”.

Dizer o quê?
A “vitimização” foi definida diante da dificuldade de explicar no exterior a maior manifestação da História, dia 13, exigindo o impeachment.

Pagando a dívida
O uruguaio Luis Almagro concordou em difundir a lorota de “golpe” para agradar Dilma, que apoiou sua eleição à Secretaria-Geral da OEA.

Entrando na onda
O Planalto pediu que governantes populistas e até a ingênua chanceler argentina ameaçassem com repreensão na Unasul e no Mercosul.

Chapa quente
Governistas e petistas chamam de “golpe” a atuação da Justiça, que, lastreada em documentos, confissões e delações, prende-os um a um.

Membros do MP vão a reunião partidária pró-Dilma
O procurador João Pedro Saboia Bandeira Mello Filho esteve entre os membros do Ministério Público presentes na reunião partidária de juristas pró-Dilma, nesta terça (22). Foi ele quem abandonou a reunião da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, há dias, quando o ministro João Otávio de Noronha defendia a Corte, rebatendo insultos de Lula, o ex-presidente. Atividade político-partidária é vedada a membro do MP.

Ataque besta
Em telefonema gravado sob ordem judicial, Lula acusou o STJ e o Supremo de “acovardamento” em relação ao juiz federal Sergio Moro.

Lei complementar
É a lei complementar nº 75/93 (inciso V do artigo 237) que proíbe membro do Ministério Público “exercer atividade político-partidária”.

CNMP também proíbe
A resolução nº 5, de 20 de março de 2006, do Conselho Nacional do Ministério Público, veda membro do MP em atividade político-partidária.

Já se sabe que não dá
O Planalto fez as contas e percebeu que já não tem votos suficientes para impedir o impeachment de Dilma na Câmara. Por isso ela foi aconselhada a partir para o “tudo ou nada”, radicalizando seu discurso inclusive contra integrantes do Poder Judiciário.

Fiz, mas não fui eu
Nem a chocante lista apontada pelo Tribunal de Contas da União, como as “pedaladas fiscais” caracterizando crimes de responsabilidade fiscal, fez cair a ficha em Dilma. Ela insiste que nada fez de mais.

Querem atear fogo
A ordem no governo é atacar para intimidar a Justiça, ameaçar a Polícia Federal para tentar imobilizá-la e, até, desqualificar o Ministério Público. Apesar das advertências ponderadas no PT sobre o risco de estimular iniciativas violentas contra representantes desses setores.

Solução única
Vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o deputado Laércio Oliveira (SD/SE) avalia que o empresariado só conta com uma solução para a crise política: “O impeachment de Dilma”.

Michel cai fora
Após prometer só voltar a Brasília com a definição do rompimento do PMDB com o governo Dilma, o vice Michel Temer retornou à cidade. Mas só para pegar o voo Brasília-Lisboa nesta quarta-feira (23).

Desembarque oficial
O PP discute nesta quarta (23) se rompe com o governo. O deputado Jerônimo Goergen (RS) é um dos autores da proposta. Metade da bancada na Câmara já não vota favorável a projetos governistas.

Fim do império
O deputado Paulo Pereira da Silva (SD/SP) sugeriu o domingo (17) como a data para a Câmara votar o impeachment de Dilma: “Para derrubar o império petista, tem que ser no domingo, com povo na rua”.

Diz que não estou
Dilma vem encontrando dificuldade em conversar com os membros da comissão especial do impeachment. O deputado Marco Feliciano (PSC/SP) avisou que não atenderá os insistentes telefonemas.

Pensando bem…
…golpe mesmo no Brasil, nos últimos tempos, foi aquele aplicado na Petrobras e nos cofres públicos, durante os governos Lula e Dilma.

PODER SEM PUDOR
Governo envelhece logo
O falecido jornalista Edísio Gomes de Matos era inteligente e bem humorado. Grande contador de histórias. Certa vez contou para poucos amigos que, quando jovem, um tio farmacêutico permitia o jogo do bicho na farmácia dele quando um candidato a governador do Ceará empunhava, como bandeira de campanha, o fim do jogo no Estado.
O candidato ganhou. E o jovem Edísio, preocupado, procurou o tio. A resposta dele foi a seguinte:
– Se preocupa não, menino. Todo governo novo fica velho…

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