Autismo, esperança e preconceito

A esperança a virtude que anima a busca de coisas novas, de um mundo mais justo, de mais felicidade. A esperança vai além do sonho que idealiza e remete à possibilidade da realização. Por isso todos nós, que não somos poucos e temos uma pessoa autista em nossas vidas, recebemos com alegria as novas notícias sobre a possível cura do autismo e queremos conversar sobre isto.

Se você não tem um autista na família ou no convívio mais próximo, sua atenção nos interessa ainda mais. Talvez você já tenha ouvido falar que autismo não tem cura. Então, finalmente a ciência encontrou remédio para esta síndrome complexa e misteriosa? Seria fantástico, mas a coisa não é bem assim.

Na verdade, o interesse científico pelo autismo cresce até como resposta ao assombroso crescimento da incidência global do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O Center of Diseases Controland Prevention – que nos Estados Unidos equivale ao nosso Ministério da Saúde, afirma que o TEA já alcança 1 em cada 68 crianças de até 8 anos de idade. Como não ocorre variação da incidência do autismo por geografia ou etnia, a Organização Mundial da Saúde projeta esse número para todo o mundo. No Brasil, estima-se que temos mais de 2 milhões de pessoas com autismo.

Apesar dos investimentos ainda pequenos em pesquisas, como reclama o neurocientista brasileiro Alysson Moutri, Ph.D em Genética, professor da Universidade da Califórnia (EUA) e uma das principais autoridades no assunto, já é possível vislumbrar caminhos para a superação definitiva dos sintomas que caracterizam o autismo. Daí as notícias que falam em cura, embora o autismo seja mesmo uma condição permanente.

De toda sorte, falar de cura é uma esperança que se pode ressaltar no 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Mas existem expectativas mais próximas da nossa realidade, como contribuir para o melhor convívio dos autistas na sociedade. Para quem é diferente, ser aceito e compreendido é tão importante quanto os melhores tratamentos médicos e terapias possíveis.

Portanto, antes de sonho com cientistas anunciando a cura, vem a esperança de que você seja uma pessoa livre de preconceito contra autistas.

* Gilberto Braga de Mello é jornalista e publicitário.
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