Reféns

Estamos refém. Mais especificamente nós acreanos. Não há arma apontada para nossas cabeças, nem nada do tipo. O perigo nos afeta silenciosamente e é como se nossos heróis, responsáveis por nos representar e nos defender do inimigo sanguessuga, não pudesse nos ouvir.

É assim que me sinto toda vez que preciso me deslocar do Acre para outro lugar por meio do transporte aéreo. E sei que não estou sozinha nessa.

Na madrugada de domingo para segunda-feira, alguns amigos vinham de Brasília para o Acre por meio de uma companhia aérea. No entanto, o avião não pode pousar em Rio Branco devido ao mau tempo. Os passageiros tiveram que ficar em Manaus. Até aí tudo bem, afinal, segurança é mais importante.

No aeroporto da capital amazonense, o caos. Fila para pegar informação, fila para tudo. Até que foram informados que seriam levados a um hotel para passarem a noite. Outro pesadelo. Ao chegarem ao hotel descobriram que não tinha vaga para todos os passageiros. Teriam que ir para outro lugar, mas não havia transporte. Estavam por conta própria.

Depois de muito tempo enfrentando o cansaço e a fome, além do estresse, os que não conseguiram se hospedar no primeiro hotel foram para um segundo. Lá, de acordo com relatos, era um lugar com aspecto de abandono total. Tudo quebrado e um tanto insalubre. Sem opção, ficaram por ali, apenas desesperados para que aquele pesadelo acabasse logo. Afinal, tudo o que queriam era voltar para casa com tranquilidade.

Semana passada eu precisei do serviço aéreo. Porém, aconteceu de um voou da Gol atrasar quase duas horas, o que me prejudicou na conexão. Perdi o segundo avião. Fomos orientados a procurar a companhia da Tam para sermos realocados. Estávamos no aeroporto de Brasília. Aquilo ali é um mundo. Ninguém nos acompanhou. Os passageiros prejudicados com o atraso tiveram que sair perambulando atrás de saber onde conseguiríamos embarcar. E mais fila. Até que conseguimos, após parte de uma manhã, encontrar o lugar certo, fazer novamente o check-in, despachar as malas e embarcar às pressas.

Estamos falando de um serviço caro. Essas passagens não são de graça. Não estamos pedindo favor de ninguém. É um direito nosso o serviço de qualidade.

A Azul já anunciou que vai suspender os voos no Acre. A Gol disse que não terá mais voo direito para Porto Velho, em Rondônia. Já não temos muita opção e parece que o pouco com que contamos está se resumindo a quase nada. Isso tudo faz o preço das passagens aumentar.

Eu quero acreditar em um serviço adequado dispensado aos acreanos como a todo o restante do Brasil. Não podemos regredir aos tempos em que só rico podia pagar por uma viagem de avião. Achei que tínhamos superado isso. Achei que as diferenças haviam se dissipado. Achei que estávamos vivendo um novo momento. Achei que a regra era sempre melhorar. Parece que eu estava enganada.

* Brenna Amâncio é jornalista.
E-mail: [email protected]

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