Política nacional 06/04/2016

“É uma esculhambação, abre uma crise institucional”.
Deputado Laércio Oliveiro (SD/SE), sobre a liminar do ministro Marco Aurélio Mello.

Liminar do STF pode gerar impasse institucional
Pode gerar impasse institucional a liminar do ministro Marco  Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF),dando ordens  ao presidente de outro Poder, deputado Eduardo Cunha (PMDB), para instalar o processo de impeachment do vice-presidente Michel Temer. É que a tendência da Câmara é “não tomar conhecimento” da ordem. Não seria a primeira vez que o Poder Legislativo tentará reafirmar a sua independência.

Vai que é tua
A Mesa ou o plenário desafiarão a liminar. É que, réu em ações penais, Eduardo Cunha não está em condições de afrontar quem o vai julgar.

Precedente
A Câmara ignorou a cassação de quatro mensaleiros. Henrique Alves, então presidente, condicionou isso à aprovação do plenário da Casa.

STF se acha
“Assim como não interferimos no Judiciário, o Judiciário não deveria intervir em assunto da Câmara”, sustenta Sérgio Souza (PMDB/PR).

Toga vermelha
“É lamentável ver um ministro com experiência fazer política com a toga. Deveria usar toga vermelha”, diz Sóstenes Cavalcante (DEM/RJ).

Petrobras aplica calote até no governo uruguaio
O sindicato dos trabalhadores da indústria do gás do Uruguai exige a retirada da Petrobras do país, alegando que que a estatal brasileira não paga US$ 5,8 milhões devidos ao governo, desde que assumiu a gestão da MontevideoGas, em 2006. Um relatório foi apresentado ao presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, argumentando que, além de uma série de “graves erros de gestão”, a Petrobras violou o contrato.

Sem manutenção
A primeira violação do contrato foi em outubro de 2014, quando um vazamento revelou falta de manutenção de equipamentos na empresa.

Dívida
A segunda violação é a dívida de US$ 5,8 milhões acumulada desde 2009 pela Petrobras, por falta de pagamento da concessão do serviço.

Péssimo serviço
Desde que a Petrobras assumiu a gestão da MontevideoGas, em 2006, a empresa perdeu mais de 5 mil usuários de gás natural no Uruguai.

Vale-tudo
Dilma aproveitou o embalo de exonerações de indicados do PMDB e pediu mapeamento de cargos ocupados pelo PTB. Um movimento claro em direção ao relator do impeachment, Jovair Arantes (PTB/GO).

Jucá empareda Dilma
O discurso do senador Romero Jucá (PMDB/RR), que assumiu a presidência do PMDB, voltou-se contra o governo. Habilidoso, ele conseguiu isolar Dilma ainda mais. Vinte senadores fizeram apartes.

Bala de prata
O governo aguarda o apoio do PP, PR e PSD contra o impeachment nesta quarta-feira. Dilma quer garantir os 122 deputados dos três partidos, mas dificilmente conseguirá metade deles, o que já é muito.

Votos no varejo
Lula pretende votos pró-Dilma no PSB, mas o presidente do partido, Carlos Siqueira, não quer saber: os socialistas querem o impeachment. Siqueira até já esteve com Michel Temer, que gostou da conversa.

Memória do JB
A jornalista Belisa Ribeiro lança em Brasília, nesta quarta-feira (6), seu livro “Jornal do Brasil, história e memória” (ed. Record, 406pp, R$ 52). Será no restaurante Carpe Diem, a partir das 19h.

Quadra de ases
Empresários e profissionais querem o pôquer fora do marco regulatório dos jogos de azar. “Precisamos de segurança jurídica”, diz o jogador Felipe Gonsalves Costa. O governo jáo reconhece como esporte e a Justiça Federal considerou o jogo legal, mas sem envolver apostas.

Poço de mágoas
Wadih Damous (PT) deve ter ressentimentos da OAB, cuja seccional do Rio presidiu. Na comissão do impeachment, desqualificou a entidade, acusando-a até de não defender “a ordem jurídica”.

Pequenas causas
Empresas ligadas ao banco Opportunity foram acusadas de abastecer o mensalão com R$ 127 milhões transferidos à DNA, agência de propaganda de Marcos Valério. No petrolão, só Pedro Barusco, gerente da Petrobras, devolveu R$ 360 milhões afanados da estatal.

Pensando bem…
…com discursos tão afinados, logo Renan Calheiros e Valdir Raupp vão cavar vaguinhas no Rede Sustentabilidade de Marina Silva.

PODER SEM PUDOR
Era um abacaxi
Monoglota irrecuperável, o general Artur da Costa e Silva sempre tentava “traduzir” por conta própria. Certa vez, presidente da República, ele fez uma escala na Tailândia, durante viagem internacional. Na recepção oferecida pelo governo local, aproximou-se de um grupo de diplomatas, que conversava em inglês sobre os “problemas comuns” aos dois países. Ele ouviu “problems”, mas entendeu “products”, e meteu o bedelho:
– Yes, yes, abacaxi, manga, mamão…

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