Zona necessária

O estacionamento rotativo, ou Zona Azul, começou a ser implantado em Rio Branco no final de 2014. Desde então, o sistema só foi se estendendo nas ruas do Centro. E, junto com o avanço dele, cresceu o descontentamento de muitos motoristas da cidade que insistem em criticá-lo.

Falar em estacionamento rotativo implica uma ideia de cultura e costume. Antes de 2014, não se falava em Zona Azul. No máximo, era uma ideia. Uma proposta. Aí ela virou uma realidade. A prefeitura apostou no sistema e passou a colecionar muitas críticas por isso, da parte de muita gente que até passou a parar de estacionar no Centro com medo de usar a Zona Azul.

Quem não gostou da zona, só se limitou a ataques e a dizer que tem que melhorar, ou até que precisam tirar o sistema. Quem gostou, só segue ela sem elogios. Pois bem, acho que chegou a hora de também parabenizarmos a prefeitura pela coragem em acreditar em tal iniciativa.

É compreensível o temor de muitos rio-branquenses para com o estacionamento rotativo. Além de exigir certo tempo e habilidade para mexer nos parquímetros (antes era mais fácil, era só pegar uns trocados e dar para o ‘flanelinha’), a ideia de uma fiscalização maior nas vagas do Centro é mal vista pelos críticos. Há quem diga: ‘ah, é só mais uma forma de tomarem nosso dinheiro’. Não acredito que tais concepções estejam de acordo com a consciência coletiva.

Precisamos entender que Rio Branco cresceu. Hoje todo mundo quer ter um carro, uma moto. Há até quem queira ter mais de um. Para muitos, inclusive, é um sonho até maior do que ter casa própria. E, diante das facilidades para conseguir financiamentos, este sonho foi alcançado. Que bom! Só que isso reflete na questão da mobilidade urbana da nossa cidade. O chamado ‘Centrão’ era a maior prova disso. Achar vagas ali era mais raro do que achar um torcedor do Botafogo no Acre.

Sim, é verdade, antes era tudo de graça. Mas só porque os espaços eram gratuitos, não significa que eram justos. Não eram. Além do mais, havia muita desorganização. Tempos em que os ‘flanelinhas’ do Centro eram reis e únicos que garantiam a segurança e ‘integridade’ de nossos veículos. Isso acabou. É triste por eles, mas o progresso faz essas vítimas que não conseguem se adaptar a ele. A coletividade deve sair vitoriosa. E certamente eu me sinto mais seguro hoje, com o estacionamento rotativo, para estacionar meu carro no Centro da cidade.

Antes era quase inconcebível pensar em parar no Centro [repare que não me refiro nem a ‘estacionar’, é só ‘parar’]. Isso mudou. Estacionar lá agora é algo normal. Um grande avanço!

A Zona Azul ainda tem falhas de funcionamento que precisam ser superadas para atingir a aceitação popular. Isso é fato. Mas nós também temos que fazer o esforço de nos adaptar melhor a ela. Conhecê-la melhor antes de fazer tanto pré-julgamentos.

* Tiago Martinello é jornalista.
E-mail: [email protected]

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