Cedo demais

A imprudência no trânsito tirou mais uma vida. A acadêmica de Jornalismo, Marina Oliveira Lima, de 23 anos, estava apenas começando a realizar os sonhos profissionais quando teve o futuro interrompido. Morreu a caminho do estágio que realizava na TV Acre, em Rio Branco.

Imagino Marina saindo de casa, dando um “até breve” para a família e se dirigindo ao carro como em qualquer outro dia. Deve ter começado a dirigir, talvez com a rádio conectada em volume baixo, para não atrapalhar os pensamentos. Enquanto seguia o trajeto para o trabalho, podia estar organizando as possíveis pautas do dia para apresentar na reunião da empresa. Ela também podia estar lembrando que dali a alguns meses já estaria formada e com o diploma em mãos. Ou talvez, só estivesse pensando na família, na vida e nos projetos.

Era cedinho da manhã. Nas ruas já havia sinais de gente apressada no conforto de seus veículos, pisando fundo no acelerador para chegar no horário certo do compromisso. Todos ligeiros, como se isso fosse resolver os problemas. Engano nosso.

Foi tudo muito rápido, disseram as testemunhas. Na mão contrária, um condutor teria realizado uma ultrapassagem arriscada e atingido o carro em que Marina estava. Ninguém sabe ao certo ainda.

Que susto deve ter sido ver algo grande e mortal vindo em sua direção. Ela não teve chances. Foi muito abruptamente. Uma vítima se foi.

Para as estatísticas, Marina é apenas mais uma morte no trânsito. Para a família e amigos, ela foi alguém que com certeza deixou uma marca de amor, algo maior.

No outro carro havia um casal. Eles ficaram em estado grave e seguem internados.

Após uma tragédia como essa, alguns de nós começam a pensar no sentido da vida e em como tudo pode acabar tão rápido.

Qual condutor nunca cometeu uma imprudência no trânsito? Eu não conheço tal pessoal. Seja por não respeitar os limites de velocidade, seja por andar sem o cinto de segurança ou mesmo outra coisa.

Se cada pessoa lembrasse que no outro veículo tem uma vida, talvez adotasse mais a direção defensiva. Algo tão simples como respeitar os limites e a vida parece se perder quando são jogados em um trânsito no dia a dia.

Não podemos perder a responsabilidade. Não podemos deixar que outras Marinas morram nas estradas para tomarmos uma atitude.

Mais amor no trânsito, por favor.

* Brenna Amâncio é jornalista.
E-mail: [email protected]

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