Solitude ou solidão

Como faço para gostar da solidão? Resposta fácil. Aprenda a conviver com seus anjos e demônios. Simples assim! Não tem outra sugestão. Agora você escolhe como quer viver. Se sozinho e sofrendo por isso ou em plena solitude, que segundo um dos mais importantes teólogos do século XX, Paul Tillich, denomina como denominar a glória de estar sozinho.

Confesso que passei pela fase da solidão. Afinal, não é fácil mudar completamente uma rotina de um dia para outro. Mas, foi só no começo. Depois percebi que não queria viver triste, reclamando da vida.

Quando em meio as maiores tribulações, penso em um dia específico. Era uma tarde de um dia qualquer, mas tinha conseguido cumprir as tarefas domésticas, tomei um banho relaxante e me deixar levar pela vontade de colocar uma música tranquila e deitar no tapete.

Por um instante deixei com que a gravidade e o cansaço não me deixassem pensar em mais nada. Me permiti apenas ter aquele momento de paz. A música tocava e conduzia meus pensamentos por boas lembranças e um anseio, sem pressa, de querer ser feliz e de permanecer feliz.

Ali caiu a ficha. Não importa com quem eu tenha que conviver fora de casa. Mas, lá eu seria soberana e única. Apesar de que, às vezes, tenho vontade de dirigir numa rua sozinha. Ou ir no supermercado sem ter que enfrentar fila. Mas, quando chego no castelo a sensação que tenho é que nada e ninguém poderá me ferir.

Infelizmente, nos dias atuais, para ter momentos de paz é necessário travar lutas batalhas cada vez mais difíceis. É para poder estar em paz comigo mesma, que sou alucinadamente enlouquecida. Hoje ao avaliar aquela sensação, acredito que seja a mesma de um atleta que treinou muito e conquistou o pódio ou aquele resultado por tanto tempo almejado.

Desde então, confesso que tem sido cada vez mais raro esses momentos de paz. Hoje o mundo, o trabalho, as dificuldades e as pessoas nos exigem uma agilidade de pensamentos e ações que nos tornam quase super-heróis.

Acelerar a nossa vida é tão fácil, quanto respirar! Para desacelerar o processo é mais complicado. Mas, a vontade de ter paz tem sido maior que qualquer outro sentimento. E paz é algo que super-heróis não tem.

Temos que fazer estas diferenças, porque estar e ficar e ser sozinho ou sozinha não quer dizer necessariamente que será desagradável, ok?

* Bruna Lopes é jornalista
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