Vamos nos resolver

É hoje! Muitos acreditavam que este dia não chegaria. No entanto, muitos outros lutaram tanto para que este domingo acontecesse que começo a pensar que, enquanto ele não viesse de uma vez por todas, nosso Brasil, gigante pela própria natureza, nunca mais saberia o que é seguir adiante. Íamos ficar pra sempre estáticos em manifestações.
‘Ela fica ou não fica?’ Eis a questão. Um dilema que vai marcar para sempre os estudos da história contemporânea brasileira. E que hoje começa a finalmente ter uma resposta.
Em respostas não podemos ficar em cima do muro. Por isso, atrevo-me logo a dizer que sou contra o impeachment. E tenho direito a ser, e manifestar isso abertamente. Respeito quem defende tal medida. Só não acho que este é o caminho certo. Da mesma forma que muitos já não acreditam e não aceitam mais a governabilidade de Dilma, eu também me recuso a ver o dia que minha pátria amada será governada por Michel Temer e companhia.
Minha convicção é de que em 2014 o povo brasileiro elegeu a presidente Dilma Rousseff por um mandato de 4 anos, em uma disputa muito apertada e que rachou o país em dois polos. Se agora uma maioria deste mesmo povo quer tirá-la, então isso é uma prova da nossa imaturidade e indecisão eleitoral. Uma reafirmação de que devemos mudar este modelo político que vigora e corrompe nosso país.
A impressão é que estamos sendo conduzidos a um caminho de caos e anarquia. Especialmente porque este processo todo está nitidamente sendo guiado por interesses e pela sede pelo poder, que cada vez mais vão se desenhando diante de nossos olhos. Só quem é ‘cego’ ou fanático demais se recusa a ver. Dói acreditar, mas é nesse poço em que nos atiramos: deixar nossa nação ser guiada por um Eduardo Cunha da vida.
Se for para tirar a Dilma, o PT ou quem mais for, isso precisa ser feito devidamente nas urnas e no tempo certo. Se for pra ter impeachment, que venham novas eleições. E, ainda assim, serão apenas remendos para um Brasil que está em frangalhos.
Essa ânsia popular por impeachment, na minha modesta opinião, e por mais absurdo que pareça, só confirma que o mandato de presidente não deveria ter mais do que 2 anos. E isso não com base nos moldes técnicos que uma administração pública precisa para ser eficiente, mas sim pela vontade do povo. E essa é soberana. Está acima de tudo. Inclusive, dos ideais utópicos da democracia.

* Tiago Martinello é jornalista.
E-mail: [email protected]
       

Assuntos desta notícia