Retrocesso

O que não faltou nessa semana foi assunto pra gente reclamar, enquanto consumidor! A bomba que são essas filas quilométricas de bancos em Rio Branco finalmente estourou, mas vamos deixar esse tema pra uma próxima ocasião [até porque ele ainda vai render]. O tópico da vez é essa decisão absurda da Anac em autorizar que as companhias aéreas cobrem pelas bagagens despachadas. De quebra, ainda vão limitar o peso e quantidade de bagagens de mão.

De onde raios surgiu essa ideia?

Quando a proposta foi lançada, ainda sob o pretexto que seria uma medida pra abaixarem os preços das passagens aéreas, a opinião pública desconfiou e já a recebeu com desdém. Hoje, mesmo diante da antipatia popular, e já sem a maquiagem que era esta lorota de baratear o valor das passagens, a proposta não só ganhou corpo, como foi aprovada. Passa a valer a partir dessa semana, empurrada goela abaixo do povo. E nossa chance de reação a isso? Zero!

Ser brasileiro hoje virou sinônimo de lutador de MMA em decadência. Quando você acha que aguentou bem um soco, do nada vem uma pezada na cara que te leva a nocaute.

Essa nova medida é um retrocesso escancarado a uma grande conquista da classe média e baixa do Brasil que estava tomando gosto pelo prazer de viajar de avião. Vinte e cinco anos atrás, viagens aéreas a turismo ou de férias era sinônimo de riqueza. Luxo! Poucos tinham o poder aquisitivo pra isso. Esse cenário mudou. O povo conquistou, sim, a oportunidade de voar. Mas tal oportunidade lhe está sendo arrancada agora, sem dó, nem piedade.

É como se tivessem nos dado asas apenas pelo vil prazer de cortá-las depois, só para verem concretizar o sentido de cada letra do infame ditado de que “quanto maior a altura, maior é a queda”.

Para o acreano, então, viagem aérea está se tornando uma realidade cada vez mais distante. Praticamente um sonho impossível. Os valores são tão altos para viagens nacionais [internacionais nem se fala] que logo deixaremos de saber como é percorrer em alguns minutos o trajeto que somente longas horas de estrada o fariam. Viagem será sinônimo de ônibus.

Nada disso está certo. Lutamos por um Brasil melhor dia a dia. Pagamos impostos altos todo mês pra ver isso acontecer. E o que ganhamos em troca são agências reguladoras do poder público incapazes de barrar medidas absurdas como essa.

Louvável foi, propagandas à parte, leitor, o posicionamento da Gol ontem de anunciar que vai manter gratuitas a 1ª bagagem despachada de até 23 kg para voos nacionais e duas para voos internacionais, além de ofertar uma tarifa light para quem não despachar mala alguma. Agora é esperar que outras companhias estimem mais o seu consumidor, e sigam tal exemplo.

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