Tem que funcionar

Quando eu era criança tinha medo de monstros escondidos no escuro. Hoje eu tenho medo é de adoecer e precisar da Saúde Pública do Acre. As imagens que tenho visto nos últimos meses, com corredores lotados e filas de espera por cirurgias, é algo de entristecer qualquer coração humano.

Os projetos e ideias que envolvem a Saúde Pública são lindos, muito melhores do que os existentes em países de primeiro mundo. No entanto, não funcionam. Falta efetividade na execução do serviço.

Em Rio Branco, a gente fica sabendo de falta de material básico para atendimento de pacientes. Tem gente que pode morrer à espera de um produto que custa centavos. Eu não estou inventando isso.

Se na capital do Acre a situação é essa, imagina no interior, onde os recursos são escassos!

Os servidores da Saúde são verdadeiros guerreiros, porque, muitas vezes, trabalham em um cenário semelhante ao de campo de batalha. Alguns tiram do próprio bolso para comprar materiais que o Governo do Estado deveria garantir para que não falte ao paciente. Isso está certo? Eu digo que não.

Depois de meses nas mãos da ex-secretária Mônica Machado e de seus coronéis, vindos de Brasília, a Saúde Pública no Acre tenta “respirar por aparelhos”, recuperar-se de um período que era melhor ser arrancado da memória.

De volta ao comando da Secretaria de Estado de Saúde, Alysson Bestene tem um enorme desafio pela frente. Recordo de tê-lo entrevistado no começo do ano, quando assumiu a pasta pela primeira vez. Vi ali um jovem entusiasmado para deixar seu nome marcado positivamente na história. Hoje, depois de ter conhecido melhor a realidade local, acredito que ele pode perceber que fazer o trem andar pode não é tão simples. Há muita coisa em jogo e é preciso de um esforço conjunto para melhorar esse setor com problemas tão graves.

A torcida é para que tudo melhore. As pessoas, ainda mais aqueles que não podem pagar por um plano de saúde, necessitam que o setor funcione. E isso não é nenhum favor.

É preciso empenho e gestão de verdade para que quem dependa da Saúde Pública sinta que sua vida está segura ali. Caso contrário, Marias, Josés e tantos outros podem continuar perdendo a vida nas filas de um hospital.

 

*BRENNA AMÂNCIO

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