Pular para o conteúdo

Ilusão de liberdade

Uma sensação horrível de insegurança tomou o Acre. Até os municípios mais pacatos se tornaram atraentes para o crime organizado.
Hoje, o cidadão tem medo de sair de casa, tem medo de que entrem nela, tem medo o tempo inteiro.
Em casa, na rua, no shopping, na escola, nos hospitais, no trânsito, nos bancos, nos restaurantes, nas lojas, em qualquer lugar, você está sujeito a ser a próxima vítima da criminalidade.
Com a Operação Papai Noel em execução, mais viaturas policiais estão nas ruas. Muitos conseguem impedir assaltos, mas, infelizmente, nada disso tem conseguido inibir os bandidos. Estão ousados, não temem serem presos, pois serão soltos logo. Nossas leis são brandas e só quem sai perdendo no fim das contas são as vítimas.
O Acre deixou de ser aquele lugar onde qualquer morador podia colocar cadeiras de balanço na calçada para conversar com o vizinho, que podia dormir de janela aberta ou sair e se esquecer de trancar a casa com vários alarmes.
De uns anos para cá, o crime organizado se fortaleceu. Nenhuma medida tomada foi, de fato, eficaz. As fronteiras continuam abertas e a droga entra aumentando a disputa entre facções.
Quando você se torna alvo de um assalto, logo vem um monte de gente apontar seus erros. “Deu bobeira”, “usou celular na rua”, “ficou distraído”, “estava na rua até tarde deu nisso”… É triste que as vítimas sejam acusadas de simplesmente estarem usando suas coisas em um ambiente livre.
A verdade é que não há essa tal liberdade. Ela é apenas uma fantasia, uma ilusão. Você não é livre se não pode sair de casa a hora que quiser, se não pode usar seu celular onde quiser, se não pode ter seus bens materiais sem medo de atrair os criminosos.
Zygmunt Bauman, autor do livro Vida Líquida, fala sobre a tendência moderna de cada vez mais almejarmos viver em condomínios fechados, gradeados, com cercas elétricas e muros altos. Com isso, acreditamos que estamos seguros e livres, quando na verdade apenas nos aprisionamos dentro de nossas próprias casas.
Resta-nos viver “tomando cuidado”, ficar em alerta e tentar passar despercebido por um campo lotado de bandidos sedentos por tirar algo de você.

“Você não é  livre se não pode ter seus bens materiais sem medo
de atrair os criminosos”