Tempos tenebrosos  

Não vivemos dias fáceis. E o cenário revela um futuro mais obscuro ainda. É desanimador ver o rumo que estamos sendo guiados no Brasil, e não há esperança de as coisas melhoraram.

Deixe as paixões políticas e as cores partidárias de lado. Abandone-as. Dispa-se de todo amor e ódio que se sente por um partido A ou outro B. Aí fácil enxergar a verdade.

Nossa economia está em cacos. O dólar disparou, batendo recordes cada vez mais altos. É uma verdadeira “surra” em cima do nosso real. Produtos básicos como gasolina, gás de cozinha e energia elétrica são reajustados a gosto, e com porcentagens absurdas. Direitos estão sendo tolhidos a todo momento. Reformas e mais reformas são empurradas goela abaixo do povo, e a quê custo?

As mazelas sociais continuam crescendo. A desigualdade nunca foi tão forte em nosso país. A corrupção jorra por todos os cantos do Brasil, com esquemas ocultos, inúmeros penduricalhos dispendiosos para cargos do alto escalão, apadrinhamentos e o revoltante enriquecimento de pequenos grupos políticos. O desemprego continua em todo lugar. Não há oportunidades. Não há perspectivas de oportunidades. Nosso poder de compra é cada vez menor. Perdemos valores de nobres causas, como o de proteger o meio ambiente e ajudar os necessitados.

No Acre, a votação na Aleac da reforma da Previdência estadual, nesta semana, escancarou uma dura realidade: a morte da democracia. Tudo ocorreu de forma lamentável. Foi triste acompanhar. Trabalhadores não puderam entrar na casa do povo. A eles bastou aceitar a taxatividade de “baderneiros” e a dureza de cercos policiais. Manifestar-se virou tabu.

A reação a um tema tão controverso naturalmente seria a greve, mas nem esse recurso a categoria tem mais. Antes mesmo de começar, a Justiça Acreana declarou o movimento ilícito, apontando irregularidades em algo que nem ainda existe de fato. Perderam o jogo antes de entrar em campo. A mensagem que passa é que greve agora parece algo proibido. Não pode.

Estão criando uma bomba relógio com trabalhadores da massa, com opressão e sem diálogo. Um dia essa bomba vai explodir. E o resultado pode beirar a anarquia e o caos, capaz de abalar o sistema. A meu ver, esse é um panorama mais desolador ainda.

O pretexto para a aprovação da reforma é de que o status atual da Previdência Social é insustentável. O rombo só crescia, como uma bola de neve. Isso é um fato. O grande xis da questão é a solução que deram. Atacaram o lado mais fraco da equação: o trabalhador. Os que ganham menos, vão ganhar menos ainda. Os que ganham mais, perderão também. Mas, agora, se pergunte, leitor: quem será que vai sentir mais essa perda? O rico ou pobre?

Estamos descobrindo da pior maneira possível que, sim, as coisas podem piorar. É melhor o povo ir se preparando porque mais coisas tensas virão em 2020. Novos retrocessos persistirão em bater nossa porta, e acho ser bem difícil reunirmos forças para manter essa porta fechada.

 

Tiago Martinello é jornalista e editor-chefe do Jornal A Gazeta

 

 

 

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