Questões paroquianas

Polêmicas e polêmicas. Assim segue o atual governo. Não tem outro assunto para tratar sobre política no Acre, hoje, que não passe diretamente pelo Palácio Rio Branco. Ao que parece, o governador Gladson Cameli (Progressistas) não consegue “determinar” a construção de uma equipe para ajudá-lo a governar o Acre.

Nunca se viu na história do Acre, governador refém de secretários. Parece que “a caneta que nomeia, não é a mesma que exonera”, frase não massificada por Cameli no início da gestão. O mesmo não cabe para o chefe da Casa Civil, Ribamar Trindade. Por duas vezes, Gladson teve que pedir, implorar para Trindade ficar no cargo. Diante da opinião pública, o gesto torna o mandatário do Acre limitado no poder de decidir.

O povo escolheu um governo que seja firme e não fique no vai e vem. Ao fazer este gesto, Cameli abriu para que o mesmo se repita para outros que compõem a gestão. Ou será que Gladson Cameli pensa em terceirizar o governo. Bom, esta é a visão que passa. A criação de um “supersecretário” dá a entender isso.

Importante salientar que não se discutem aqui as qualidade ou defeitos de Trindade, até onde sabemos ele é estritamente técnico, competente. Mas, a inconstância abre brechas para que o governo seja minado. Problemas internos da gestão são vazados com facilidade. Seria mais plausível ao governo, antes de implorar a permanência de alguém, que este fizesse a troca, o tirasse de uma secretaria e o lotasse em outra. Menos feio.

Outro ponto que parece não cair bem, e a imprensa já vinha denunciando isso ontem, 9, da interferência de Manaus no governo do Acre. Ora, já provamos que a interferência externa nos governos não é salutar. Vejamos a Saúde, importamos secretários de Brasília e o resultado: um desastre. Ao voltarmos nossos hospitais às mãos do acreano Alysson Bestene, as coisas voltam a entrar nos trilhos. Não se trata de ser bairrista, nada disso. Mas, pessoas que conhecem bem esse pedaço de chão.

O governo precisa ter vida própria, identidade. Ainda não vemos essa identidade sendo construída. Ensaiamos o agronegócio, parece que adormeceu. Fizemos namoro com os chineses para comprar a ZPE e assim desenvolver o Acre, nem uma coisa nem outra. Estamos parados flutuando apenas nas questões paroquianas da gestão, trabalhando egos.

É nesse sentido que muitos estão desacreditados. O governo passa a impressão justamente daquilo que o próprio governador disse ao ac24horas recentemente, dorme. É preciso um despertar. Fazer as coisas acontecerem.

Espera-se que, a partir de fevereiro, as coisas passem a tomar um caminho diferente. As cobranças serão mais incisivas na Assembleia Legislativa do Acre. A base vai estar mais afinada ou menos coesa. Ano de eleições municipais, muitos interesses à mesa. A imagem do PT vai ficando distante. Não há mais como se agarrar em tal desculpa para justificar. A saída é colocar a mão na massa, tratar o governo com mais seriedade.

 

José Pinheiro é jornalista, graduado pela Universidade Federal do Acre.

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