Mal resolvidos

Às vésperas do início do ano letivo na rede estadual de Educação, cresce uma movimentação para mais uma greve dos professores. Uma Assembleia Geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac) está marcada para a próxima segunda-feira, dia 10, exatamente a mesma data em que as aulas iriam começar.

Não creio que a notícia tenha pego ninguém de surpresa. Já não é de agora que o sindicato vem demonstrado descontentamento dos profissionais que atuam na educação. Por matérias com membros do Sinteac, por postagens, áudios em redes sociais e ao relembrarmos fatos e acontecimentos da categoria em 2019, é possível ver claramente que se esboça o panorama de uma nova proposta para greve geral, daquelas por tempo indeterminado.

A greve é a munição dos trabalhadores. O instrumento de fazer pressão. É o artificio mais eficaz que os professores podem fazer uso para mostrar sua força numa mesa de negociações.

De certa forma, faz parte do jogo da democracia, do sindicalismo e da eterna ‘queda de braço’ existente nas relações entre trabalhadores e empregadores. Sem ela, não há sacrifícios, não há cessões. A balança pende para o lado mais forte. E o mais fraco sai perdedor, sai fracassado.

Só que essa jogada vem sido frustrada por decisões judiciais proibitivas. As greves não estão sendo satisfeitas no Acre. Começam reunindo os sentimentos inquietantes da classe e findam com belas argumentações jurídicas em uma sentença. O propósito grevista tem sido rompido.

O movimento acaba, mas os anseios por trás dele não.

A cada ano, a cada rodada de diálogos, a cada fase pré-greve, as reivindicações da categoria vão crescendo, vão se amontoando em reuniões malsucedidas. Isso não ocorre só na Educação. O mesmo vale para a Saúde, Segurança (policiais civis e penais) e outras áreas.

Trabalhador infeliz e sinônimo de apuros para os gestores. Insatisfeito e frustrado, é o prenúncio de que, em algum momento, virá uma grande tempestade por aí.

Agora é esperar os rumos que mais esse indicativo grevista vai tomar. Vejamos como se dará o desenrolar natural das coisas. Mas uma coisa é certa: os ânimos mais uma vez estão exaltados. Os articuladores políticos e demais negociadores do governo parecem não conseguir enxergar que a categoria não está satisfeita. Agarram-se ao famoso cenário de que “está tudo bem, tudo OK”. E, assim, a poeira vai sendo varrida para debaixo do tapete. Uma hora o vento vem e espalha essa poeira. Resta saber o quanto de pó vai haver nessa sujeira toda.

 

TIAGO MARTINELLO

 

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