Os Novos Sicários!!

Sicário, nos melhores dicionários, designa alguém com instinto assassino pago para cometer toda a sorte de crimes. No Velho Oeste, o sicário era conhecido como o “matador de aluguel” “pistoleiro” ou “revolver mercenário”.

Mais recentemente bandidos do crime organizado, exemplo de Al Capone, Pablo Escobar, entre outros figurões, tinham seus sicários prediletos. A propósito, nesta semana morreu o famoso “ Popeye” sicário preferido de Escobar, a quem se atribui, por baixo, 3.000 assassinatos.

No presente momento, com a cultura da morte que sobreveio ao mundo moderno e ninguém possui uma solução realística para debelá-la, surgiram miríades, dezenas de milhares, de sicários que matam, a mando dos chefões da droga, quem lhes contrariam os negócios ilícitos, no país dos ilícitos.  Eles camuflam (sentido figurado) seus crimes com expressões como “apagar”, “silenciar”, “queima de arquivo”, ou “executar” as vítimas, que encaram como “encomendas”.

O lamentável é que a maioria (?) dos jovens são os novos sicários deste mundo caótico. Os jovens dos tempos pós-modernos são portal do crime. Todos os dias surgem dos quatro cantos do mundo, relatos lamentáveis sobre: homicídios, assaltos à mão armada, lesões corporais e tráfico de drogas envolvendo diretamente crianças e adolescentes. Na realidade só estou reverberando um clamor geral no que toca o assunto da delinqüência juvenil, da prostituição e exploração de crianças e adolescentes. Parece que o crime compensa!

Grande parte dessa juventude, envolvidos diretamente com o crime sob a pecha de “facções” é a mais grosseira representação do homem pós-moderno alienado, que já não se empenha por nada; pois que é produto duma filosofia de vida em que a verdade e os valores morais são relativos. São moços, de ambos os sexos, que fazem da inibição, da apatia ou da resignação um mecanismo de defesa frente ao fracasso reiterado.

O fracasso, que altera o significado de vida e o sentido de tempo na existência desses jovens, alguns ainda adolescentes, faz manifestar uma fixação e uma incapacidade de conseguir mudanças ou uma melhoria na desorganizada conduta arbitrário em que estão metidos. Desgraçadamente, dedução óbvia, há uma forte adesão, por parte da juventude, em aderir ao crime. Parece que, por opção consciente, estes jovens querem mesmo  “ser bandido”.

Não se trata de pessimismo exagerado, mas qualquer cidadão, mesmo que não seja adepto de reflexões sobre violência, tem que reconhecer que habitamos num mundo em que a vida não está valendo um picolé. Notadamente, nas mãos dos novos sicários.

Essa realidade reflete um verdadeiro horror à vida. Estamos nos matando uns aos outros. Talvez produto d’uma crença popular de que o poder, a supremacia, o dinheiro e o prazer sejam mais importantes do que a vida humana.

 

Francisco Assis dos Santos*

HUMANISTA. E-mail. [email protected]

 

 

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