I’m still alive

Lembrei horrores dessa música na semana que passou. É possível que vocês tenham também lembrado de um Eddie Vedder ainda jovenzinho, e de seus cabelos soltos, balançando no alto do banquinho do Unplugged MTV. Faz tanto tempo, não é? E ao mesmo tempo foi tão outro dia. Pois todas as vezes que me aparecia um anúncio de uma live no instagram – e quase sempre às 20h, vocês perceberam? – me vinha a cena completa à cabeça.

Foi muita live. De debate a Yoga, de abdominal a show, teve de um tudo. Acompanhei umas tantas, mas não pude deixar de me ater à conexão entre a palavra que o aplicativo escolhe para nomear o recurso e o horário que os usuários escolhem para marcar as suas apresentações, aulas e/ou encontros.

Para mim, trata-se tão somente da necessidade de lembrar para si: ainda estou vivo. E em especial no fim da noite, quando vai caindo a esperança, o ritmo dos afazeres que fazem as horas passar distraídas, quando se enxuga a pia para sinalizar que os pratos estão todos limpos.

Faz sentido se mostrar vivo – para si e para o outro – ainda que de sensação de pratos limpos o que estejamos vivendo não tenha nada. Não há um só centímetro de futuro cristalino, não há uma única gotinha de certeza do que virá. E quando houve? Embora o sentido da música seja outro, estamos iguaizinhos a ela.

“Is something wrong?”, she said
Of course there is
“You're still alive”, she said

Sim, estamos vivos e estamos também juntos. Lavando pratos, limpando a casa, estudando, cantando, nos exercitando e trabalhando. Vai passar. Boa semana queridos.

* Em tradução livre
“Há algo errado?”, ela diz
Claro que há
“Você continua vivo”, ela diz

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