Pior do que tá…

TIAGO MARTINELLO

Mais uma crise, e que crise! A tensão que se instalou no governo federal com a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi aguda, imensurável. Moro caiu, mas caiu atirando para todos os lados contra a presidência de Jair Bolsonaro. É mais um decepcionado.
A verdade é que Moro era um dos homens fortes desta atual gestão. A saída dele já seria suficiente para abalar Bolsonaro. Mas esta forma com a qual o ex-juiz está deixando o governo é mais crítica ainda. A sensação que passa é que o governo é uma fábrica de problemas, um barco em que quem se destaca nele não quer ficar de jeito nenhum.
Bolsonaro não consegue manter ninguém. Quem entra em rota de colisão com ele, sai. Parece que não há meio termos, nem articulações. Só os extremos valem. É só relembrar. Criaram um partido para elegê-lo presidente, mas quando começou seu governo eles racharam. Bolsonaro saiu e ficou sem partido. O caso Mandetta é mais recente, após suas posições quanto às
medidas do coronavírus divergirem. E agora Moro. Um golpe duro!
O presidente acusou segundas intenções do ex-juiz. Veio se defender de que Moro tentava, nos bastidores, barganhar sua ida para ministro do STF. Não colou! Pelo contrário, o discurso de Bolsonaro suou meio desesperado. Como se fosse a melhor desculpa para a saída. Mas não faz sentido algum. Por que alguém do escalão e prestígio que Moro tinha não seria indicado ao Supremo? Esse seria um resultado natural se ele só tivesse continuado do jeito que estava. Foi uma queda de braço, e Bolsonaro fez de tudo pra vencer, sem ligar para as consequências.
E a população brasileira? E quem confiava na aliança Moro-Bolsonaro? Foi simplesmente um grande “Eu não me importo. Vocês que achem outra coisa pra acreditar”. A questão central de toda essa crise é que Moro fez denúncias gravíssimas, de interferência política escancarada da presidência em uma das instituições que mais deve ter independência e autonomia para investigar e prender corruptos, a Polícia Federal. São afirmações de um ministro, alguém que até ontem estava lá dentro, e que não podem ficar por isso mesmo.
Uma polícia federal politicamente comprometida é o primeiro sinal de que tem coisa errada por debaixo dos panos. Mas quem vai investigar? Depois do “furacão Moro”, alguém ainda vai confiar em uma polícia que tem que se sujeitar ao presidente? Que baita problema!
Fato é que a gestão de Bolsonaro continua sendo um desastre sem precedentes na História do Brasil, tão fracassada que nem seus homens fortes, os chamados ‘braços direitos’, aguentem se manter nela. Até desviar atenção no combate à pandemia de coronavírus conseguiram. E só quem perde é nosso país, o povo brasileiro, que seguirá imerso em uma recessão crítica tanto
de credibilidade, quanto econômica. Vamos ter que seguir descobrindo a soberba no slogan de campanha “pior do que tá não fica”. Pelo visto, o fundo do poço tem um alçapão para irmos mais abaixo ainda. Mais lama para cavar, atolados em uma crise sem fim. Isso é lamentável!

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