Artigo – Distanciamento social e as “falsas necessidades!”

Antes das medidas proibitivas e obrigatórias de “distanciamento social” advindas em razão do mortal covid-19, o mundo vivia dias de “incivilidade”, barbarismo e anarquia social generalizada.  Essa convivência, notadamente entre os jovens, de sofreguidão (desejo, impaciência, pressa, ambição, cobiça e avidez) sem limites trazia à tona fatos brutais no dia a dia das pessoas.

Nesse contexto, com raras exceções, aquela máxima social do ser-para-os-outros fenecia numa intolerância exacerbada. No Brasil, campeão em mazelas sociais,  debaixo dum sistema capitalista e bandido, que privilegia uns poucos em detrimento de muitos, os bons costumes eram valores arcaicos, coisa do passado.

Estamos enquadrados no conceito da cultura das “falsas necessidades”. Essas necessidades “falsas”, no dizer de Herbert Marcuse (1898-1979) são aquelas que se impõem  sobre os indivíduos por parte de interesses sociais particulares que premem sua repressão: são as necessidades que perpetuam a fadiga, a agressividade, a miséria e a injustiça. Nessas “falsas” necessidades, em grande parte, prevalecem a necessidade de relaxar, de se divertir, de se comportar e de se consumir de acordo com os anúncios publicitários, de amar e de odiar aquilo que outros  amam e odeiam. Essas necessidades são pautadas poderes externos, sobre os quais não temos nenhum controle. Nos tornando marionetes sociais do que existe de pior na face da terra. O resultado é, portanto,  uma euforia no meio da infelicidade

Assim, por um viés trágico, o covid-19 nos mostra que vivemos uma inautentecidade. Consumimos “produtos” e nos divertimos com aquilo que outros dizem ser o melhor. Os produtos  doutrinam  e manipulam, promovem  uma consciência  que é imune pela própria falsidade.

Alguns de nossos maiores pensadores concordam, em particular, que já ultrapassamos o ponto crítico. A maioria dos que se dedicam a pensar e olhar os problemas que afligem o homem (técnicos, analistas, historiadores, cientistas, filósofos, sociólogos, teólogos e estadistas) concorda que o homem, em nível de civilidade, caminha para o pior.

Estaremos desenganados? Não nos resta mais esperança? Se o quadro é este, onde encontrar otimismo para encarar a vida depois que a PANDEMIA passar?  Onde estão as saídas para o problema? Em cada um de nós! Seria a resposta!

Entretanto, é inegável, que o espírito egoísta, o maior de todos os males humanos,  termina por falar mais alto em nossa alma, colocando em primeiro plano os nossos próprios interesses, como um fim em si mesmo. Afinal, é notório que  a  maioria já perdeu o interesse, notadamente  por aqueles que fazem parte da comunidade local e, o que é pior:  pelo bem universal!

O covid-19 arrefeceu os ânimos da massa sem freio. Que tragédia!!

Mas, o covid-19, mesmo não debelado inteiramente, deve passar. Então, veremos como o mundo retorna ao convívio social!

 

* Francisco Assis dos Santos é HUMANISTA. E-mail: [email protected]

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