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Francisco Assis
Francisco Assis dos Santos é filósofo e humanista. Email:[email protected]

ARTIGO – Quem são os pobres?

Outro dia, num “debate” do canal de TV CNN, um ativista político, perguntou ao outro debatedor: “Quem são os pobres no Brasil?” Acho que a pergunta foi retórica, pois já faz tempo que o mais desatento dos leitores, sobre esta querela social, sabe quem são os pobres no Brasil. Um dia desses eram 13.5 milhões os que vivem na extrema pobreza no país do futebol e seus estádios luxuosos. Uma barbárie à brasileira.

Mas, quem são os pobres?

Peritos definem a pobreza como a necessidade crônica dos elementos básicos para sobreviver. Outros a definem como a desigualdade entre os que podem adquirir certos bens de consumo e os que não podem. Creio que é necessário conhecer os pobres e os fatos da pobreza O conceito de pobreza é amplo.  Expressa  a angústia de ser oprimido e de carecer de uma vida harmônica e equilibrada. Deve-se considerar o contexto cultural, já que o desenvolvimento das pessoas afetas sua cultura. Há alheamentos culturais, percebidos pelo mais simples cidadão, ante as diferenças entre a sua própria realidade de pobreza iminente e a descrição de uma realidade de êxito projetada e sancionada pelos meios de comunicação.

No Brasil, outro fomentador da pobreza, vistas à olho nu, é a desigualdade social. Três quartos da riqueza existentes estão concentrados nas mãos de apenas 10% da população. Isto é, riquezas imensuráveis continuam nas mãos de poucos enquanto a miséria é privilégio de muitos. Mas, dizem os especialistas no assunto, já foi pior!

Alguém pode dizer que essa “desigualdade esmagadora” é a realidade da história da humanidade, com tendência a se perpetuar,  pois que chegou até aqui debaixo de grande dilema, o dilema do paradoxo humano (na minha ótica sem solução terrena) da convivência dos dominadores  (ricos e poderosos) com os dominados (pobres e miseráveis) e das diferenças entre países de primeiro mundo com países emergentes do terceiro mundo.

Por que são pobres?

A pobreza não consiste somente na necessidade ou falta de recursos, mas de poder, de conhecimento, de ajuda e de esperança. Contudo, ninguém ou alguém é pobre por vocação e opção consciente. São pobres, porque vítimas de determinadas situações e estruturas econômicas, sociais e políticas.  É essa estrutura perversa de inversão de valores, produto do mau moral, que suscita a pobreza; os famintos, o favelado, o menino de rua abandonado, pelo pai desempregado; a alarmante exploração sexual infantil; a tirania política, a maldade e o cinismo dos vendedores de drogas?

Onde estão os pobres?

Pelos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – ano base 2016), o país ainda tinha 35 milhões de brasileiros sem acesso à água, mais de 100 milhões de pessoas sem coleta dos esgotos e somente 44,92% dos esgotos eram tratados. Isso significa que temos um enorme desafio para que o saneamento básico chegue a todos os brasileiros. Nesse caso, de fato, os pobres nesse contexto de total ausência de saneamento básico.

Conclui-se, que o maior desafio para nós brasileiros, diante dos pontos levantados, é pensar  nos porquês da maioria do povo brasileiro viver em situação de risco e miséria?

O teólogo Reinhold Niebuhr (1892-1971) disse certa vez que: “Se esperarmos postura  altruístas dos poderosos, vamos esperar para sempre”. Deste modo, é necessário refletir em torno dos fatos da pobreza no Brasil.

 

* Francisco Assis dos Santos é HUMANISTA. E-mail: [email protected]