O grande paradoxo!

O grande paradoxo, do atual momento da vida pública brasileira, é que a política que deveria ser a ciência da felicidade coletiva; que deveria fomentar esperança e bem estar social;  hoje, essa política, na pessoa dos políticos instituídos de poder, protagonizam e anunciam velhos e novos “modelos” de governar; verdadeiras falácias, ditas para enganar. Seja dito de passagem, que no ápice da crise do Novo Coronavírus, os médicos  que no passado, davam  as más notícias, hoje dão esperança, e os políticos protagonizam e anunciam as crises existenciais.

A política atual mostra uma postura extremamente egoísta e desonesta, produto da busca desenfreada do homem pelo poder, prazer e realização pessoal desmedido, nem que para isso tenha que esmagar, nessa corrida louca, o seu semelhante. Porfia, com bafo de perversidade, que se agiganta cada vez mais em grau mais elevado, joga por terra nossos sonhos, ou nossas quimeras, de dias melhores. Essa é a nossa realidade dura e cruel nas suas múltiplas facetas. Realidade de fatos tão brutais, onde poucos sobrevivem dignamente. Nota-se a ausência duma ética responsável, notadamente aquela “ética da responsabilidade  weberiana” (Max Weber 1864-1920) que se distingue pela nobreza da intenção.

Diferentemente, da Grécia Clássica, em que o conceito grego de política buscava como esfera de realização o bem comum da cidade. Hoje, há um novo conceito de política, foi o que dissemos, outro dia, aqui mesmo neste espaço. Política é PODER! E o poder, alguém já disse, acaba com os sonhos, com as utopias. Por quê?  Porque, dizem os espertos, os sonhos são impotentes e, portanto, estão na contramão do poder!

Nesse caso, já que eles pararam de sonhar, sonhemos nós, os sem poder. O povo, que vive de esperança em esperança, sem fim, porque destituídos de poder, só pode mesmo sonhar com melhores dias, com novos tempos! Diga-se a propósito, que essas quimeras, essa pitada de utopia, só são possíveis num sistema democrático. Em sistemas totalitários, pode-se até sonhar, contudo sem esperança de liberdade de enunciação do pensamento por meio de gestos ou palavras escritas ou faladas.

Sei, entretanto, que a desilusão generalizada conspira com as esperanças, até aqui hipotéticas, duma saída que atenda os anseios da sociedade. Exigindo, da parte dos que dirigem este país, muito mais do que quimeras ou promessa descabidas. Atitudes sérias na condução da coisa pública, pois estamos todos, sem exceção, no limite da nossa paciência.  Mas, mesmo diante desse quadro “nefasto” o povo precisa acreditar em utopias, enquanto aspirações possíveis, uma vez que os sonhos não se sobrepõem à realidade duríssima que assola o país.

O paradoxo (irônico) é que a política e seus mais dignos representantes apresentam a política como à “arte de tornar os sonhos reais.” Mas,  na prática, os que têm e estão no poder parece que desaprenderam a sonhar. Vivem, hoje, dos recorrentes apelos aos “novos” modelos e sistemas de convívio e sobrevivência social.

 

* Francisco Assis dos Santos é HUMANISTA. E-mail: [email protected]

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