ARTIGO – Extinção 

A política de extinção dos povos indígenas e da sua cultura está em franco andamento no Brasil. Esse ano já morreram vários caciques e indígenas exterminados por grileiros e pela Covid-19. Além da evangelização desses povos que acontece a todo vapor e que para mim é criminoso.

Desde os anos 80, houve um boom na exploração da floresta amazônica para mineração, extração de madeira e pecuária, o que representa uma grave ameaça para a população indígena da região.

Os colonos ilegalmente invadindo terras indígenas continuam a destruir o meio ambiente necessário para os modos tradicionais de vida dos povos indígenas, provocam confrontos violentos e disseminam doenças.

Povos como os Akuntsu e Kanoê foram levados à beira da extinção nas últimas três décadas. E muitos estão à beira da extinção.

Esta semana morreu Aritana de Covid. Levou 17 horas num carro saculejante desde o Alto-Xingú até chegar a um hospital. Não resistiu ao coronavírus. E nos mostrou mais uma vez como esses povos são tratados.

Saúde pública não pode ser confundida com escolha pessoal. A responsabilidade pela saúde e vida dos seres humanos, de qualquer raça ou cor, é do poder público.

O Brasil tem, diariamente, o equivalente de mortes por Covid-19, 20 vezes maior que os números da explosão em Beirute. E o que está acontecendo nas aldeias indígenas do Brasil é a mais pura omissão.


Beth Passos é jornalista.

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