ARTIGO – Fanatismo e desrespeito 

Existe algo mais hipócrita do que defender a gravidez de uma criança de 10 anos abusada por um tio?

Foi o que fez a sem-noção ministra Damares dizendo que a menina teria ajuda para criar o filho. Que ajuda? Esse caso está sendo amplamente divulgado e não é o único.

A menina era abusada desde os seis anos. Não teve infância sofrendo traumas que dificilmente serão apagados.

Crianças que sofrem abuso sexual, físico ou emocional durante a infância apresentam alterações genéticas ao longo da vida que podem ser transmitidas para suas futuras gerações. Os efeitos de abusos vão muito além do trauma psicológico e se estendem, inclusive, para o DNA do indivíduo.

Felizmente, um juiz determinou a interrupção da gravidez nessa criança que colocaria a vida dela em risco.

O fanatismo religioso não pode passar por cima de uma vida em perigo. Nesses casos a lei permite o aborto.

Essa ministra não tem coração. O dela é engessado em dogmas e falta de respeito com a vida de uma criança.

E, antes de criticar o juiz, pensem nas suas filhas, netas, sobrinhas de 10 anos. O que vocês fariam?

Medo do fanatismo que crassa no país que é um mal silencioso e voraz que faz desaparecer o discernimento. Esse trecho de Voltaire ilustra meus sentimentos hoje quando ouvi uma malta louca chamar uma menina de dez anos estuprada de assassina e responsável pela sua gravidez:

“O mais detestável exemplo de fanatismo é aquele dos burgueses de Paris que correram a assassinar, degolar, atirar pelas janelas, despedaçar, na noite de São Bartolomeu, os seus concidadãos que não iam à missa. Há fanáticos de sangue frio: são os juízes que condenam à morte aqueles cujo único crime é não pensar como eles. Quando uma vez o fanatismo gangrenou um cérebro a doença é quase incurável “.

Choro e sofro pelo Brasil no caminho da insanidade!


Beth Passos é jornalista 

E-mail: [email protected]

Assuntos desta notícia