ARTIGO – Peça de horror

Em algumas noites, eu deito para dormir com gosto de fel na boca diante das tragédias governamentais que assolam o país.

Vivemos num teatro trágico grego, apresentações etilizadas e extáticas que foram criadas pelos sátiros, seres meio bodes que cercavam Dionísio em suas orgias.

No sentido vulgar, tragédia, desgraça e drama são sinônimos e a palavra deriva de “tragos” (bodes).

Infelizmente, verificamos um Estado de bodes num espetáculo onde o público se identifica com os personagens, gerando a “harmatia”, que é a impureza e a falha de caráter do personagem.

Na tragédia não existe calmaria e ela é a causadora da “empatia”, que é a relação de comunicação entre o ator e o público como vemos todos os dias na arena que o Brasil se transformou.

É então que entra em cena a “peripécia”, transformando de forma repentina o destino do personagem, fazendo-o agonizar em sua existência.

A maioria dos espectadores dessa tragédia espera a peripécia e ela vai chegar afastando de nós a claque de bodes marrando em torno do poder.


Beth Passos é jornalista 

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