ARTIGO – PEC da Vida

Seguimos alavancando pauta para uma mulher que estava presa, por atos criminosos e de incitação ao ódio. Além de sofrer de algum tipo severo de narcisismo perverso, essa mulher, há muitos anos, é usada por e faz parte de uma estrutura de comunicação que transcende a estrutura nacional, desses “gabinetes de ódio”, ao alcance de nossa legislação.

Não é fácil rastrear, com provas, essas redes de incitação ao ódio transnacionais, mas é muito fácil, hoje, em 2020, identificarmos como elas operam em superestrutura. Não falta material mais sobre isso, como faltava em 2011. Em tese, todo mundo da nossa bolha já assistiu Privacidade Hackeada. Mas parece que esse entendimento não surtiu efeito algum!

Ou seja? Seguimos pautados e repercutindo apenas a pauta contrária aos interesses pelos quais lutamos. Ou alguém acha que, fora desse universo míope que nos acostumamos a chamar de “bolha”, o que mais ganhou repercussão positiva foi a pauta dos direitos reprodutivos femininos? Não foi. Foi a pauta desse movimento retrógrado, que se auto-intitula “pró-vida” e que pretende mudar a legislação brasileira, de um jeito, ou de outro.

Um jeito seria aprovar um projeto de lei que tornasse o aborto ilegal em quaisquer circunstâncias no Brasil. O outro, é modificar alguma frase da Constituição que inclua a expressão “desde a concepção” como atributo da inviolabilidade do direito à vida.

Existe uma Proposta de Emenda chamada de “PEC da Vida” que propõe isso no Senado. A PEC 29/2015 foi desarquivada a pedido do senador Eduardo Girão (Pode-CE), no ano passado. A discussão do mérito do direito ao aborto, num caso legalmente previsto, interessa muito a esse lobby.

Aliás, todas as vezes que foram feitas pesquisas estatísticas de opinião, a sociedade civil brasileira se mostrou majoritariamente contra o aborto. Esse é um dos casos em que a nossa legislação, mesmo sendo bastante restritiva, em comparação com a de países como Alemanha, Holanda ou Canadá, ainda é mais avançada que a mentalidade da maioria da população.

Sendo, colocar em discussão pela sociedade um caso PREVISTO EM LEI é algo que apenas interessa aos que estão há muito tempo fazendo lobby para mudar essa lei no sentido de torná-la muito mais restritiva.

Seguimos fazendo gol contra nesse 7×1 rumo a uma sociedade totalitária. Até quando?

No dia de 4 de julho do ANO PASSADO, durante uma entrevista, o ginecologista do Hospital Pérola Byington e professor da USP explicou muito bem sobre tudo isso. Essa é a discussão que interessa a nós mulheres.


Beth Passos é jornalista 

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