Depois de 80 anos de pesquisa, Harvard revela o que descobriu sobre a felicidade

O que podemos aprender com o maior estudo já realizado sobre felicidade? Difícil encontrar alguém que não a busque ou quem diga que finalmente a encontrou em plenitude. Por essa assertiva, os cursos mais populares da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, não ensinam medicina nem direito, mas felicidade. O segredo da felicidade é um dos mais bem guardados do mundo, mas um psiquiatra está fazendo o possível para desvendá-lo – e já tem algumas dicas para quem busca ser simplesmente feliz.

Robert Waldinger é o diretor do Estudo sobre Desenvolvimento Adulto de Harvard, um dos estudos mais completos sobre a vida adulta já realizados. A pesquisa teve início em 1938 e acompanhou a vida de 724 homens durante 76 anos, realizando questionários a cada dois anos sobre suas vidas, que incluíam a qualidade de seus casamentos, satisfação no trabalho e atividades sociais. Além disso, sua saúde física era monitorada a cada 5 anos.

A descoberta é que são os relacionamentos que nos mantém felizes e saudáveis. Pessoas que se sentiam mais próximas de suas famílias, amigos ou comunidade reportavam maiores índices de felicidade do que as mais solitárias. Mas, para ser feliz de verdade, o importante é a qualidade destes relacionamentos – o estudo indica, por exemplo, que pessoas em relacionamentos conflituosos tendem a ser mais infelizes do que pessoas solteiras.

As pessoas pesquisadas são:

*268 alunos de Harvard como parte do Estudo Grant, conduzido pelo psiquiatra de Harvard George Vaillant;

*452 meninos de 12 a 16 anos que cresceram na cidade de Boston como parte do Estudo Glueck, conduzido pelo professor da Faculdade de Direito de Harvard, Sheldon Glueck.

Ano após ano, os pesquisadores coletavam informações sobre seus trabalhos, suas vidas domésticas, seus estados de saúdes sem ter a mínima ideia dos desfechos de suas histórias de vidas.

Por que esse estudo é importante? Nenhum estudo tão completo e tão longo sobre a felicidade foi realizado antes. A maior parte desses projetos de pesquisa dura, no máximo, 10 anos. Além disso, tais projetos acabam sendo cancelados por falta de investimento, por desistência das pessoas que participam deles ou por desinteresse (ou falecimento) dos pesquisadores.

Sessenta por cento dos 724 homens selecionados para o estudo de Harvard ainda estão vivos, na casa dos 90 anos, e participando do projeto. Os pesquisadores, agora, estão começando a focar  nos mais de 2000 filhos desses homens. É um material humano riquíssimo que abrirá espaço para muitas inovações na área.

O resultado aponta três lições valiosas:

  1. Relacionamentos próximos.

Os homens dos dois grupos de estudo que relataram ser próximos às suas famílias, amigos ou comunidade tinham a tendência a serem mais felizes e mais saudáveis que seus companheiros menos sociais. Eles também tendem a viver mais. Em comparação, as pessoas que afirmaram ser sozinhas relataram que se sentem menos felizes. Elas também tiveram pior saúde mental e física, como definido acima. Em 2014, vários estudos publicados no jornal Social and Personality Psychology Compass (Bússola da Personalidade Psicológica e Social) sugeriu que a solidão pode prejudicar o bom funcionamento mental, a qualidade do sono, o bem-estar, e que aumenta o risco de doenças e até morte.

  1. O importante é a qualidade (e não quantidade) dos relacionamentos.

O importante não é só estar em um relacionamento. Casais que afirmaram brigar muito e ter pouca afeição pelo outro (o que os autores dos estudos definem como “casamentos de alto conflito”), eram, na verdade, menos felizes que as pessoas que não eram casadas.No entanto, o efeito da qualidade do relacionamento parece depender de alguma forma da idade.

Um estudo de 2015 publicado no Journal of Psychology and Aging (Jornal da Psicologia e Idade) que acompanhou um grupo de pessoas por 30 anos, descobriu que o número de relacionamentos que as pessoas tinham era, na verdade, mais importante para as pessoas na faixa dos 20 anos. Porém, a qualidade dos relacionamentos tinha um efeito social e de bem-estar psicológico maior quando as pessoas estavam na faixa dos 30 anos.

  1. Casamentos estáveis e de apoio mútuo

Estar socialmente conectado aos outros não é bom só para nossa saúde física. Isso também ajuda a adiar o declínio da capacidade mental.

As pessoas casadas que não haviam passado por um divórcio, separação, ou que não tiveram “problemas sérios” até os 50 anos, tiveram um melhor desempenho nos testes de memória nessa idade do que aqueles que passaram por tudo isso. Outra pesquisa apoia esse resultado. Outro estudo de 2013 no Journal PLOS ONE, apontou que o casamento, entre outros fatores, estava ligado a um risco menor de incapacidade cognitiva leve e demência.

Tudo isso sugere que relacionamentos sólidos são importantes para nossa saúde. A sociedade dá muita importância à riqueza e à dependência no trabalho. Mas, ao longo desses 76 anos, estudo na Universidade de Harvard mostrou que as pessoas que passam bem são aquelas que se apoiam em relacionamentos: seja com a família, com amigos ou a comunidade. Em síntese, significa dizer que a harmonia, o amor, a lealdade, a cumplicidade e a amizade entre as pessoas trazem felicidade. Assim, de acordo com o trabalho científico, o verdadeiro segredo da felicidade é manter boas relações interpessoais. As conexões sociais, diz o estudo, ajudam a proteger a memória e a saúde como um todo e ressalta que a qualidade dos relacionamentos é mais importante do que a quantidade. Não basta ter muitos amigos, mas em especial bons amigos. Conclusão? Nenhuma receita milagrosa, nenhum “passo a passo” engenhoso. A simplicidade do resultado do estudo mostra que a felicidade mora ao lado.


LIÇÕES DE GRAMÁTICA

SUPERLATIVOS QUE DOBRAM O i

Na língua existe o super-super: o superlativo que dobra o i. Coisa rara. Só cinco ou seis adjetivos têm esse poder. Quais? Os terminados em –io no masculino: sério (seriíssimo), sumário ( sumariíssimo), frio (friíssimo), precário (precariíssimo), macio (maciíssimo), necessário (necessariíssimo).
Obs.: Os adjetivos terminados em -eio não têm nada com os de dose dupla. São vira-latas que pululam por aí sem charme. É o caso de cheio (cheíssimo) e feio (feíssimo).

Viu? Discutimos um assunto seriíssimo. Estudar o superlativo não é só necessário. É necessariíssimo. Um assunto de conhecimento precariíssimos como a dose dupla do i não pode ser tratado em longo processo. Exige rito sumariíssimo.


(*) Prof.ª Dr.ª Luísa Galvão Lessa Karlberg. Pós-Doutorado em Lexicologia e Lexicografia – Université de Montréal – Canadá. Doutorado em Letras Vernáculas – UFRJ. Mestrado em Letras – UFF. Coordenadora Pós-Graduação, Campus Floresta – UFAC. Presidente da Academia Acreana de Letras – AAL. Membro da Intertional Writers and Artist Association – IWA. Embaixadora Internacional da Poesia – CCA.

Assuntos desta notícia