ARTIGO – A transformação obrigatória 

Não estou convencida sobre um novo ser humano, o que vai encontrar a sua religião na natureza. Não nas estátuas mortas, mas nas árvores vivas que dançam ao vento.

Encontrará a sua oração com as estrelas, com a existência tal como é.

Não terá ideias abstratas, viverá com realidades e seu compromisso será com a natureza.

O novo ser humano que os otimistas estão imaginando vai ler a sagrada escrita da natureza. Vai tentar decifrar os mistérios da vida, não tentar desmistifica-la. Tentando amar esses mistérios e misticismo.

Será um poeta, não vai ser um filósofo. Será um artista, não será um teólogo.

Sua ciência será para compreender a natureza, não para conquista-la, mas para que lhe revele os seus segredos

Esse novo ser humano não quebrará os ciclos naturais, fará de si um único com a terra, o ar, a água, o fogo.

O coronavírus nos colocou máscaras por “segurança”, mas também nos livrou de muitas outras.

Ficamos todos nus!

O vírus despiu os neuróticos, os medrosos e os falsos corajosos.

Despertou empatia e também revelou os que desconhecem a compaixão e o respeito ao próximo.

Revelou fobias, como o medo da morte e a nossa insistência arrogante de tentar controlar o incontrolável.

Pôs na rua os falsos rebeldes, os que desobedecem somente pelo prazer infantil de confrontar e provocar.

Estes por sua vez foram vigiados através da janela virtual pelos patrulheiros da liberdade alheia, os X9 anônimos vigilantes do tal isolamento social, gente que não produz, não cria, não inspira, não transa.

A pandemia nos engasgou com a chatice militante dos que politizam até a morte de parente, papagaios ideológicos embriagados em suas paixões patéticas, e que mal percebem estarem sendo manipulados pela desinformação em massa, independente das cores e canalhas que defendem.

Essa doença tão perigosa para o pulmão também se mostrou cruel ao atingir o nosso sistema cerebral, que abriu mão do pensamento próprio para acreditar naquilo que convém, desprezando a realidade dos fatos mais evidentes e optando por depositar a nossa esperança ou “opinião” em números inventados e incongruentes, “estudos” comprovados por ninguém e manchetes mórbidas e tendenciosas.

A guerra sanitária nos tirou a liberdade, mas também mostrou que são poucos os que estão dispostos a lutar por ela.

Nos colocou em abençoada solicitude, que por falta de amor próprio e autoconhecimento se transformou em solidão, tédio e ansiedade.

Quando esse “aprendizado” passar, não sairemos mais fracos, nem tão pouco mais fortes.

Bons, maus, chatos, bêbados, ansiosos, em evolução, produtivos ou procrastinadores, pouca coisa vai mudar.

Seremos apenas um pouco mais daquilo que sempre fomos.

Esse novo ser humano precisará ser amor porque já terá entendido que somos uma unidade que se dispersa na terra simplesmente para amar, para prosperar.



Beth Passos é jornalista 

E-mail: [email protected]

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