ARTIGO – Amazônia

Maior floresta tropical do mundo, a Amazônia possui enorme biodiversidade e aos povos tradicionais que abriga. A estabilidade climática influencia e impacta regiões que ultrapassam as suas fronteiras. Apesar de toda importância, nos últimos anos, a floresta vive um cenário preocupante e hoje, 5 de setembro, Dia da Amazônia, não tem de fato o que comemorar.

Dados do DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), levantamento feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), indicam que o desmatamento acumulado na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020 cresceu 34,49% em comparação ao período anterior — de agosto de 2018 a julho de 2019. Em relação à média dos últimos quatro anos, o aumento foi de 71,80%.

Com taxas cada vez mais alarmantes, não há dúvidas de que a Amazônia tem sofrido um aumento considerável no aumento de queimadas e desmatamento.

Além da pressão de questões externas e econômicas, especialistas afirmam que o Brasil possui capacidade para conter o desmatamento na Amazônia. “Temos sistemas integrados, pessoal qualificado, monitoramento por satélite e ferramentas econômicas para coibir o mal feito e incentivar o bem feito.

O controle do desmatamento efetivo aconteceu entre 2005 e 2012, com equipe capacitada institucional e científica. Atualmente necessário que o eleitorado brasileiro tenha consciência de votar de maneira adequada nas próximas eleições pensando no país como um todo, com todos os seus problemas econômicos, sociais e também ambientais.

A população indígena, do Amazonas, mesmo com o desmatamento crescente e evidente consegue extrair o melhor da floresta para ajudar seu povo na pandemia pandêmica.

Com o sistema de saúde do estado do Amazonas saturado e dificuldades burocráticas para conseguir atendimento médico na capital, Manaus, os indígenas da aldeia Waikiru recorrem a seus conhecimentos ancestrais sobre a natureza para se manter saudáveis e tratar possíveis sintomas da COVID-19.

“A gente tem tratado todos os sintomas que temos sentido com os próprios remédios caseiros, que nossos antepassados vieram passando”, conta à AFP o líder André Sateré Mawé, que vive com 15 famílias numa aldeia, localizada na zona rural de Manaus, acessível por uma rua asfaltada.

“Cada um com um pouco de conhecimento foi juntando os remédios. E fomos experimentando, usando cada remédio para combater um sintoma da doença”, explica.
O chá de boldo não cura ‘sintomas’ de coronavírus. As receitas incluem infusões com casca de carapanaúba (árvore com propriedades antiinflamatórias), de saracuramirá (utilizada popularmente no tratamento da malária) e um chá com ingredientes menos exóticos como jambu, alho, limão, casca de manga, hortelã, gengibre e mel.

Indígenas se deslocam de barco para colher plantas medicinais, que usam para produzir beberagem e combater sintomas de COVID-19

A artesã Valda Ferreira de Souza, de 35 anos, suspeita pelos sintomas que contraiu o novo coronavírus, embora nenhum dos sateré mawé que moram nesta aldeia tenha sido examinado para confirmar o diagnóstico.

“O xarope caseiro ajudou muito a aliviar porque eu fiquei com um pouco de cansaço também. Parece que ia prendendo meu pulmão. Senti falta de ar e tomei o xarope”, relata a mulher.

Rosivane Pereira da Silva, outra artesã, de 40 anos, ajuda André a preparar as beberagens. Depois de ferver os ingredientes, os distribuem em pequenas garrafas ou em recipientes maiores, dependendo da infusão.

“Eu sempre converso com o meu avô Marcos. Ele tem 93 anos e sabe muito de remédio. Fui lá perguntar como eu poderia fazer”, explica.

De acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, 23 indígenas morreram e 371 contraíram o novo coronavírus. Mas este registro não inclui os indígenas que vivem nas cidades.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que criou um comitê próprio para acompanhar a situação e inclui os indígenas “urbanos” em sua contagem, constatou até o momento 102 óbitos e 537 contágios em todo o Brasil.

Responsáveis pela domesticação do guaraná, os sateré mawé são mais de 13.000 e vivem principalmente na terra indígena Andirá-Marau, na fronteira entre os estados do Amazonas e do Pará. Mas nas últimas décadas, algumas famílias se estabeleceram nos arredores de Manaus.

Por terem deixado suas terras originárias, ficam fora da cobertura da Sesai e, ao mesmo tempo, enfrentam dificuldades burocráticas para ser atendidos no SUS que atende a população em geral.

“Parece que eles escolhem quem e atender e deixam a gente sem atenção”, queixa-se André.

Ao longo dos anos 90 e 2000, o país mudou consideravelmente sua política de meio ambiente.

Até 2018, o Brasil possuía posições avançadas. porque a nação fez um esforço de cooperação internacional em pesquisa e  projetos de sustentação. O resultado das eleições, porém, mudaram o cenário.

A chegada do presidente Jair Bolsonaro e suas concepções, de certo modo primitivas ao poder foi um choque para todos, para os ambientalistas no Brasil e no mundo, para a opinião pública internacional e para o próprio agronegócio,

O Brasil virou um pária internacional, um país marginalizado e desprezado. É uma coisa muito triste para os brasileiros.

Ernesto Araújo e Ricardo Salles, respectivamente ministro das Relações Exteriores e ministro do Meio Ambiente, como aprecem como os dois protagonistas dos grandes problemas nas relações internacionais do Brasil.

Que Deus proteja a Amazônia, considerada o grande pulmão do mundo e a maior riqueza do Brasil.


 


Beth Passos é jornalista 

E-mail: [email protected]

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