ARTIGO – Gotas de alívio 

Ontem a chuva bateu forte no vidro da janela do meu quarto. As teimosas plantas brotando da pedra que agora estão alaranjadas num tom de outono pedindo pela água salvadora. Nós estamos, como elas, sedentos das pequenas gotas de vida que nos inundarão com a descoberta da vacina.

O cair das pequenas e inúmeras gotas num tic-tac incessante no vidro me fazem refletir e voar. Sim, refletir que esquecemos o binômio água/vida: embora o homem moderno tenha desvendado milhões de coisas que eram desconhecidas dos antigos, o mundo de hoje é cada vez mais incompreensível, menos transparente.

E a chuva traz a sensação de que nos tornamos seres humanos líquidos que em vez de levar vida, encharcamos mentes insensatas que nos inundam de descaso e dor.

Me fez pensar nas dificuldades crescentes no país de entendermos uns aos outros. É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.

Quem somos nós para julgar? Quem nos deu esse direito? Que religião que querem implantar por aqui é essa que persegue, que mata, que exclui?

O Encontro de Jesus com a Mulher Samaritana é um exemplo bíblico dos mais destacados para contextualizarmos. Jesus pediu água a uma mulher e ela respondeu: – O senhor é judeu e eu sou samaritana. Então como é que o senhor me pede água (ora, os judeus não se dão com os samaritanos). ” João 4:9. Jesus, porém, quebrou o paradigma dos preconceitos ao se relacionar e se comunicar de forma saudável com a mulher de Samaria. Mas os falsos profetas políticos não seguem os passos do Mestre.

A pouca e necessária chuva trouxe um pouco de reflexão, carinho no solo, nas plantas e alívio no coração.



Beth Passos é jornalista 

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