ARTIGO – Mundo novo 

Acho que estamos todos com aquele sentimento infantil de que perdemos a mãe no supermercado.

Sim, é apavorante, mas é verdade. Nossas referências foram trituradas pela realidade. E isso é amedrontador. Não importa quantos estranhos possam se comover com nossas crianças assustadas ou quão atraentes são as prateleiras do mundo. Nada, absolutamente nada, substitui o alívio de reencontrarmos o aconchego do abraço, do cheiro e da voz da mãe, depois de segundos, minutos de um temível abandono.

As nossas opiniões nas redes sociais não vão mudar o mundo. São gritos no vazio. Ou ecos. Acho que precisamos recomeçar no miúdo. Nos singelos afetos familiares – tão esquecidos – no relacionamento com os amigos de verdade. Será um trabalho de formiguinhas num momento histórico de disseminação do ódio. Mas acho que só assim, na singeleza de uma teia de amor, que se vai tramando silenciosamente e incansavelmente, pelo bem maior, poderemos manter a esperança ativa e reconstruir, tijolo por tijolo, o mundo que sonhamos há 40 anos.

Sabe? Aquele mundo bom. Maluco beleza. Com paz & amor, dignidade, civilidade em harmonia com a exuberância de tudo que o Criador entregou aos nossos cuidados, todos os frutos da mãe terra, da água, do ar e do sol. Não podemos deixar nossos filhos e netos órfãos de vida. Vamos lá, recomeçar pelo amor fraterno a quem está bem próximo de nós.



Beth Passos é jornalista 

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