ARTIGO – Pegando uma carona

Mesmo tendo passado algum tempo, nas redes sociais e nos jornais, o assunto é o mesmo. Sempre tem uma manchete, uma notícia, uma opinião e comentários sobre o aborto que a LEI autorizou.

O assunto já foi resolvido. A LEI foi cumprida. O que falta agora é esse estuprador pagar devidamente pelo que fez. O criminoso é ele, o tio. É sobre ele que todos os olhares da sociedade devem recair nesse momento. Ele é um estuprador covarde. Um pedófilo vil. Comentem sobre o crime cometido. Vamos debater sobre soluções para proteger as crianças de crimes como esses.

Seria aumentando a atuação dos Conselhos Tutelares? Seria profissionalizando melhor os Conselheiros? Seria fazendo uma ampla campanha contra o abuso infantil? Seria implantando aulas de educação sexual nas escolas com foco a ensinar as crianças a identificarem o que é violência, abuso e estupro e aprenderem como denunciá-los? Seria criando uma rede de proteção para as vítimas?

Há muitos assuntos importantes e mais produtivos a serem debatidos, e alguns pré-candidatos, por exemplo, pegando carona para aparecer perante seus pretensos eleitores com preconceitos, total desconhecimento da LEI em plena pandemia sanitária.

A criança que tem apenas dez anos de idade. Essa menininha, já foi violentada demais em sua curta vida. Então, não cabe aos moralistas de plantão violentá-la ainda mais. Ela já tem traumas suficientes para superar. Ninguém precisa adicionar mais dor e sofrimento a vida dela, julgando-a, ofendendo-a, dando opiniões sobre algo que só diz respeito a ela e a família dela.

O que importa a opinião sobre a interrupção da gravidez que tem o bispo “a”, o arcebispo “b”, a blogueirinha “c”, o político “d”, o fanático “e”, a extremista “f” e etc e tal?

Esse povo devia ir cuidar da própria família, visitar orfanatos e comunidades carentes, ajudar os vizinhos, arrecadar doações, criar fundos, reformar escolas, construir bibliotecas e creches, porque se fizessem isso com a mesma disposição que possuem para se meter e opinar na vida dos outros, com certeza, muitas crianças poderiam ter vidas melhores.

Jogar pedras é mais fácil do que construir escolas, não é mesmo? Na verdade, nem a minha opinião importa. Então, o que posso fazer é torcer para que um pouco mais de empatia e de bondade recaíam sobre a humanidade.


Beth Passos é jornalista 

E-mail: [email protected]

 

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