ARTIGO – Chave cognitiva

O maior dilema das redes sociais para mim é a inclusão das redes que formamos, também, independentemente de tecnologia, essas cujo uso foi colocado em suspenso com a pandemia, as redes sociais baseadas em interações ao vivo e formatadas pelo “algoritmo” da pseudo casualidade das cidades.

Outro transtorno é a resistência que todas as pessoas têm em encarar as coisas sob novas perspectivas. Novas perspectivas nem são para “mudar” a forma como as pessoas veem. Elas apenas servem para colocar pulgas atrás das nossas orelhas. Para dar uma coçadinha na cabeça e tentar virar a chave cognitiva de vez em quando. Mas as pessoas, inclusive os cachorros, têm preguiça de se mover um passo, que seja, para ter uma nova perspectiva.

No conforto de suas teimosias, seguem analisando tudo do mesmo modo. Seguem preferindo olhar a vida na confortável perspectiva que têm de suas poltronas “do papai”. E la nave va.

E meu dilema sempre é: vale a pena gastar mais um pouco de saliva ou dedo, e meu tempo, tentando dar uma viradinha, de meros 6 graus muitas vezes, nas poltronas das pessoas? Realmente, não sei. Pois a maioria apenas desvira a poltrona do movimento que eu forcei e diz: “eu já sei o que você está querendo me mostrar” e desvêem o que viram naquele átimo de tempo. Esse é verdadeiro dilema das redes e da vida.

Sigo o desafiando. Apenas porque é da minha natureza querer que todos possam ver através de perspectivas mais amplas. E tudo vale a pena quando acontece de encontrar alguém ou algo que também amplia a minha própria perspectiva sobre tudo. Daí acaba o dilema, por um bom tempo, sinto ESPERANÇA.



Beth Passos é jornalista 

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