ARTIGO – Bactérias da chuva 

Sexta-feira, 12:30 da tarde. Sensação térmica de 42 graus. Quatro horas depois, chuva pesada, relâmpagos e trovão. Odeio ventania, trovões e raios.  Adoro o cheiro da chuva, esse negócio esquisito que entra pelas nossas narinas quando a água bate na terra. No asfalto também.

Lembro que em plena quarentena mais longa em linha reta da história da humanidade li sobre esse cheirinho de chuva:

“As primeiras gotas de água da chuva geram um abalo que impulsiona para a atmosfera algumas partículas da camada mais superficial do solo. Além de minúsculos grãos de terra, o impacto lança ao ar colônias de Streptomyces, um gênero de bactéria que vive no solo.

Em épocas de seca, as Streptomyces ficam no chamado estado de latência, uma espécie de hibernação em que as bactérias continuam vivas, mas sem poder se reproduzir. Basta o contato com a umidade do vapor d’água no ar para que as Streptomyces passem a se multiplicar.

Na reprodução, as bactérias liberam milhares de células reprodutoras, chamadas de esporos. São eles que dão origem a novos seres e exalam o cheiro da chuva. Se estamos próximos a uma área com Streptomyces, percebemos o perfume porque inalamos os esporos que ficam suspensos no ar.”

Enquanto eu escrevia isso, ou mesmo antes, a chuva foi embora e também a alegria dessa bactéria aí. Foi chuva de chegada de inverno acreano? Não, foi uma mais que rápida chuva de outono ainda, esse ano não acaba nunca. Os dias andam tão estranhos. As noites também.



Beth Passos é jornalista 

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