ARTIGO – Medo real e imediato 

Tenho visto muita gente em toda parte postando que não tem medo do vírus, justificando que usa máscara e mantém o isolamento social porque se preocupa com o próximo, os números ainda estão altos, a vacina não chegou, etc.

É muita justificativa dada para quem não merece. Se querem te achar uma idiota porque você se cuida e se mantém mais reclusa que achem.

E se você estiver com medo qual o problema?

Esse vírus desconhecido matou milhares de pessoas no Brasil e milhões de pessoas no mundo em poucos meses.

Os idosos se foram em maior número – o que torna normal ter medo de transmitir a seus pais, avós, amigos mais velhos. Pessoas jovens, de idades variadas, também morreram, foram parar na UTI ou passaram muito mal ou perderam o olfato ou tiveram outras sequelas terríveis. Alguns estão se locomovendo em cadeira de rodas.

Por que eu não teria medo? Por que você não teria medo?

O medo é um sentimento humano, uma reação natural. Só os desinformados, os preconceituosos, chamam de covardes os que assumem ter medo em tais circunstâncias.

O medo é um mecanismo de proteção. O medo nesse caso se justifica pelos fatos.

Dentre os vários fatores que me faz ficar mais quieta, entendendo o momento excepcional, está o medo sim. Medo por mim e pelos meus. E muita gente tem medo e diz que não. E muita gente finge que não tem. E não estou interessada em fingir nada nem mentir sobre os meus sentimentos que são legítimos.

Esse vírus me dá medo.

Liberte-se desse medo de assumir que tem medo.

O medo não faz ninguém covarde. Ter medo nos torna cidadãos conscientes e responsáveis.



Beth Passos é jornalista

E-mail: [email protected]

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