ARTIGO – Abusos 

Ser mulher é assistir uma série que retrata homens que de alguma forma ajudaram, estimularam, foram importantes na vida de uma menina, e ficar o tempo todo tensa esperando que em algum momento um deles vá “pedir algo em troca”, “se revelar um monstro molestador”, “mostrar que não é simplesmente um humano legal”. Bem-vindos ao nosso mundo!

Acho que todas as pessoas legais que conheço — e também muitas outras igualmente bacanas que nem conheço — se manifestaram acerca da violência (mais uma!), sofrida por Mariana Ferrer. Para mim, ou o futuro é MULHER ou não haverá FUTURO.

A ideia clássica de estupro é aquela onde um homem pega uma mulher em um beco escuro e a submete através de violência física.

Mas o abuso, a violência pode ser mais sutil. A vítima não precisa estar totalmente dopada, a vítima pode estar fragilizada, pode ter ingerido álcool ou outra droga apenas o suficiente para ter seu julgamento alterado.

Maridos estupram esposas, namorados estupram namoradas, irmãos, pais e patrões. Geralmente as vítimas não estão dopadas e o abuso não acontece mediante a violência física.

A virgindade de uma moça pode ser roubada em cinco minutos SIM, e ela não precisa estar dopada para isso. Mas quem iria acreditar, não é?

Ser mulher, é isso queridos! É lidar o tempo todo com inseguranças e medos!



Beth Passos é jornalista 

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