ARTIGO – Mulher do século XXI 

Quando uma mulher expõe a violência de um homem, seja ela física ou psicológica, ela é questionada:

“Mas ele te batia”?

“Mas por que você ficou com ele tanto tempo”?

“Mas, e aquelas fotos se exibindo”?

“Mas você não estava bêbada”?

“Mas você não estava dando mole para ele”?

“Mas você saiu com ele e não sabia das intenções dele”?

Sempre tentam culpar a mulher pelas atitudes dos homens. Nossa sociedade machista e patriarcal não dá nenhuma esperança de melhora para as mulheres.

“Não foi estuprada porque é feia”, apenas demonstra que a beleza, essa mesma que tanto se exige de todas mulheres, também é considerada um crime. Crime digno de culpar uma vítima. Enquanto beleza for vista como “atributo sexual”, essa mentalidade prosperará. Por que não se olha para a beleza da mesma forma como se olha para inteligência, elegância e ética – apenas uma boa qualidade de um ser humano?

E ainda quando tentamos evidenciar esses fatos, somos obrigadas a ouvir, “MAS nem todo homem é assim”. Em tempos tão modernos esperávamos conduta de igualdade e respeito pelo sexo “frágil”.

Fui educada para construir minha independência, mas as pessoas ainda se assustam com uma mulher independente. Muitos e muitas não assumem essa ‘aversão’, afinal estamos no século XXI, mas ela existe. Sinto na pele, muitas vezes.

Num primeiro momento, até causo admiração, mas depois vem o incômodo. Aconteceu em alguns relacionamentos amorosos e pasmem, até profissionais. O que os atraiu foi o mesmo que os afastou. Não bancaram a ideia de que só os queria para caminhar lado a lado para compartilhar vidas, pois para mim não faria diferença se trocassem o pneu do meu carro ou pagassem minhas contas. O fato é que independente de qualquer coisa o que buscamos mesmo é o amor, a parceria, o respeito. Tão simples!

Vem a paixão, o desejo, mas o amor cúmplice não. Aparece a insatisfação por não se sentirem necessários. Que pena! Não enxergaram além da armadura. Não entenderam que a mulher de hoje, além de conquistar espaço e garantir sua própria segurança todos os dias e momentos, deseja apenas ser amada, respeitada e compreendida.

Concordo totalmente com Lady Gaga quando disse: Algumas mulheres escolhem seguir os homens, e outras escolhem seguir seus sonhos. Se você está se perguntando em qual direção seguir, lembre-se de que sua carreira jamais acordará de manhã e dirá que não te ama mais.”

Outra dica que não aconselho é o da funkeira Tati Quebra Barraco: “Só fique atrás de homem, se estiver em um tiroteio”.

Sempre tive uma sensação de transitoriedade. Desde menina! Nunca me senti pertencendo a algum lugar, um grupo ou a alguém. Acho que por isso, só por isso, meu psiquismo suporta bem os momentos de adversidade.

Quem suporta o transitório desenvolve bem uma boa virtude: a fé. Pertenço ao eterno que há em mim.



Beth Passos é jornalista 

E-mail: [email protected]

Assuntos desta notícia