ARTIGO – Naturalização do ofensivo

A TV aberta brasileira adora dar holofote para boylixo como bem mostra o novo reality da vez. É um desfile de tosquera.

Depois a gente tem que ficar escrevendo textão para explicar para as manas novinhas que não vale a pena endeusar homem grosseiro e que se dão tribuna para eles é porque querem justamente debochar das mulheres com todo tipo de piada machista, comentário misógino e abuso que, com certeza, teremos na sua televisão.

Em tempos de pandemia, a audiência é garantida e os hábitos ruins são exemplos. E nem adianta vir com essa história: “tipo, é só não assistir”, pois quem não possui TV a cabo, não tem como não ver e quem tem, quer ver até onde vai a ignorância humana que não aproveita o alcance de público que tem para educar, mas sim deseduca.

Não consegui ver muito com aqueles cenários toscos e poluídos no grau máximo. Mas, a maioria da população se diverte com os minos e as minas dando vexame em rede nacional numa emissora em que os donos pregam serem “evangélicos”. Pipocam cenas grotescas de machismo e até agressão física e muita gente assiste. O Twitter até bomba e influencia os jovens

Falar que a TV aberta, com o alcance que tem, não deveria dar palanque para tanta bobagem. Incompreensível ver boys com histórico de assédio ganhando milhões de seguidores e, numa dessas, eles podem acabar premiados com milhões de reais. Lembrando ainda os desabafos sem noção dos participantes revelando traumas, insatisfação, infelicidade, descontentamento, egoísmo e muita inveja entre si.

O ser humano já sabe do que é capaz. É a pura naturalização de comportamentos ofensivos. Socorro!



Beth Passos é jornalista

E-mail: [email protected]

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