ARTIGO – Planeta 3D 

São 8 meses de confinamento. Tirando as poucas vezes em que fui escalada para cuidar da minha mãe, idas necessárias ao dentista, dermatologista, cabeleireira retocar raízes, ver a obra do restaurante de uma amiga. Fui a umas três vezes à farmácia, ao supermercado uma vez por semana, também por duas vezes levei minhas filhas ao pet shop. Sexta-feira ao evento de inauguração da clínica de outra amiga. Quarta feira ao um coquetel. E só!

Estou achando horrível? Não!

Horrível mesmo é continuar limpando as coisas, sete dias por semana, sem folga no sétimo dia. De resto, acho tudo absolutamente um preço bem baixo a ser pago por mim nesta conta geral da pandemia.

Triste mesmo eu fico quando AINDA percebo pessoas achando que seja tudo sobre SE PROTEGER e não sobre impedir o vírus de circular. O nome disso é negação. Não estou falando de negacionismo, não, mas de NEGAÇÃO, no sentido freudiano mesmo, como quando a viúva SABE que o marido já morreu mas insiste em se referir a ele com os verbos no tempo presente. E, infelizmente, a pandemia vai durar enquanto durar a negação. Daqui dois meses, eu nasço, de dentro de mim mesma, 11 de janeiro, meu aniversário e uma nova pessoa, gestada em uma velha pessoa, confinada em um universo que eu permiti ser tudo, período extremamente rico em reflexões e observações. Estou louca para conhecer essa nova pessoa e também para pedir calma a ela, pois, como foi dito desde o início (e sobre isso eu nunca me permiti entrar em negação), seriam necessários pelo menos 18 meses de sacrifícios coletivos. 9 meses, mês que vem. Pelo menos já terá ido a metade. E ruim, não permitirei que seja, pois esse é o caminho para não suportar e entrar em negação. É um teste de força e tanto. Mas que não tem uma alternativa que não seja uma negação.

Se entendermos que a opinião do outro vem do nível de consciência dele não se discute mais, não briga, não há desentendimento.

Estamos vivendo em um Planeta 3D com vários níveis de consciência ao mesmo tempo. Entendamos de uma vez por todas que, teremos várias pessoas no seu dia que estão em outros níveis de consciência.

Cabe a nós escolher se vamos diminuir nossa frequência para caber no mundo do outro e provar pelo Ego seu ponto de vista OU vai aumentar sua frequência para caber no mundo de pessoas mais elevadas que nós.



Beth Passos é jornalista 

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