ARTIGO – Por menos legenda nas redes 

Começando a semana desejando que as pessoas leiam mais, rogando pelo texto, torcendo por mais palavras ditas, menos imagens, amando um textão porque eles são importantes, porque nem tudo cabe em 140 caracteres, insistindo em usar o Facebook na era do Instagram e do Twitter, falando sobre o que penso em vez de publicar selfie, opinando sobre política em vez de viralizar um meme,  justificando, argumentando, escrevendo, lendo, defendendo o texto feito tia velha que sempre se expressou melhor no texto do que na vida e tem dificuldade de entender. Bem a par de que o Instagram, o Facebook, o Whattsapp e o Tik Tok são redes distintas.

O Instagram é jovem, leve, visual, dinâmico. Tem coisas boas e ruins como todas as redes. O fato de ser tão desencanado o torna glamurizado às vezes, fútil na maioria das vezes, porém atende os mais jovens, os mais conectados e a geração consumista.

É muito artificial, os filtros são excessivos, as dancinhas são repetitivas, os influencers podem ser pessoas maravilhosas ou terríveis e fazerem o mesmo sucesso. Concordo com tudo isso. Mas lá também estão artistas fazendo experimentações, fotos incríveis, as lives mais legais, os vídeos mais divertidos, dicas, serviços etc.

Se você quer falar de política, falar seriamente de política, publicar textos que às vezes são necessários sim, se você quer falar com essa geração da qual eu faço parte, conversar com os amigos além de memes e emojis, o Facebook é mais a sua cara. Ou às vezes, sei lá, você é um pouco Insta e um pouco Face ou nenhum deles. Tudo bem.

Só precisamos entender que as redes são diferentes mesmo, as pessoas são diferentes, os tempos são diferentes, a linguagem é diferente e isso torna cada rede bem específica.

E se um político está aderindo à linguagem do Insta no perfil dele é porque ele precisa se comunicar com esse público, precisa entender a mídia.

Também acho muita coisa estranha, também fico meio assustada com um político que admiro e voto fazendo dancinhas ou posando de biquíni no Instagram. Só que o fato de me espantar não significa que estejam errados porque para cada rede uma sentença.

Quanto ao Tik Tok, não quero. Agradeço.

Quanto ao Whatts é a rede que mais me cansativa atualmente.

Posso suportar a futilidade do Insta, a virulência do Face, mas o assédio do Whatts me esgota.

Quando foi que escrever virou uma soma de emojis, pontos de exclamação, abreviaturas e adjetivos, quando foi que abolimos a vírgula, a pausa, quando foi que abandonamos os dois pontos, quando foi que o texto virou mera legenda sem brilho próprio, sem amor juvenil.



Beth Passos é jornalista

E-mail: [email protected]

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