ARTIGO – Na contramão da pandemia  

A pandemia não atingiu o agronegócio, a pandemia não diminuiu a exportação de minérios, a pandemia não impediu que os bancos mantivessem seus lucros na estratosfera, a pandemia não derrubou a bolsa. A pandemia teria provocado um déficit de 1 trilhão de reais que será utilizado como justificativa para aprovar mais reformas ainda mais destrutivas, mais privatizações e para o aprofundamento do saque, por todos os lados, contra o povo brasileiro. Enfim, a pandemia é um bom negócio.

O país não oferece empregos, atendimento adequado de saúde, muito menos educação. É hoje um país de prestadores de serviços e exportador de commodities, ocupando o lugar que lhe é reservado pelo sistema mundial de acumulação capitalista. Um país incapaz de impor sua grandeza no cenário político internacional, completamente esterilizado como grande liderança que pudesse levar a América Latina a um outro estágio em sua história.

A pandemia serve maravilhosamente a este projeto. Ela impõe o caos, a confusão, cria o ambiente favorável à proliferação da ignorância e à aversão à ciência, induz ao apelo fundamentalista, impede as mobilizações de rua, mantém o trabalhador acuado entre sobreviver correndo o risco de se contaminar ou morrer de fome. Ela ajuda a reduzir as perspectivas dessa sobrevivência à dependência a uma suposta boa vontade do governo federal. Por fim, ela consagra o salve-se quem puder.

Uma receita que destrói qualquer sentimento de pertencimento a uma nação e de solidariedade, interna e externa. Os inúteis inocentes que proclamaram, ao início da pandemia, que sairíamos mais fortes dela, ainda estão a discutir o desempenho de seus candidatos nas últimas eleições.

Mas, se depender de boa parte de analista políticos estejamos tranquilos: o presidente Jair Bolsonaro foi o grande derrotado nas eleições recém realizadas e, segundo eles, um novo Brasil teria, assim, emergido das urnas e pela performance política o PT também se deu mal nas eleições de 2020.

Um estudo feito pela “ONG Visão Mundial” apontou a existência de 70 mil crianças em situação de rua em todo o Brasil, no ano passado.

A pesquisa mostrou que 79% dessas crianças entrevistadas disseram que nunca tiveram contato com furto e roubo, 70% das crianças e adolescentes são vítimas de violência doméstica e 19% dormem com fome.

Isso significa quase 1 em cada 5 em situação de rua indo dormir com a barriga vazia.



Beth Passos é jornalista  

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