ARTIGO – O todo na pandemia 

Está quase insuportável para todos, a única certeza que se tem nos dias atuais. Porque quem suporta bem as restrições, sejam elas quais forem, não só as de isolamento (tem gente passando necessidade de coisas materiais também), não suporta mais ver pessoas (muitas próximas e queridas) ligarem o ‘tô nem aí’ para pandemia.

O que uma pessoa faz sempre interfere na vida de todos. Mas isso nunca foi tão evidente quanto agora. E em países como o Brasil (não somos o único), sob uma liderança ultraliberal e negacionista, estamos vivendo uma experiência extrema de anarquismo que beira o clima hobbesiano. O cada um por si, por sua consciência e por seu direito individual gerando o “todos contra todos”.

Virtualmente, as pessoas se aglomeram nas redes sociais, trocando afagos, risadas e desabafos, entre as que estão agindo como elas mesmas. Isso aplaca um pouco a insuportável dureza do dia a dia. Libera um pouco da pressão, mas de nem de longe resolve. Pois algumas pessoas com quem temos laços afetivos, de sangue ou não, que continuam atuando descaradamente e sem remorso pela destruição do pacto social, conscientemente ou não.  O diálogo tem algum poder sobre o outro, de fato? É o que tento descobrir, há mais de 10 meses. Todo o mais é secundário diante dessa questão.

Que a força dos ventos e das chuvas que caem tão forte demonstrando certa irritação com a humanidade germinem amor e que este se derrame e contagie a todos ampliando a vontade de viver com totalidade. Que as viagens internas promovam melhoras para que possamos caminhar novamente com um sol aceso no peito.


Beth Passos é jornalista 

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