ARTIGO – Devastação épica 

Muito bizarro o pós-carnaval no Brasil, que chegou ao seu limite. Doze estados e 17 capitais estão à beira do colapso de seus sistemas de Saúde, tanto públicos quanto privados. Quase não há leitos para tratar as vítimas da Covid-19.

A situação é crítica em Porto Velho (100,0%), Rio Branco (88,7%), Manaus (94,6%), Boa Vista (82,2%), Palmas (80,2%), São Luís (88,1%), Teresina (93,0%), Fortaleza (94,4%), Natal (89,0%), Recife (80,0%), Salvador (82,5%), Rio de Janeiro (85,0%), Curitiba (90,0%), Florianópolis (96,2%), Porto Alegre (84,0%), Campo Grande (85,5%) e Goiânia (94,4%). Além disso, 12 Estados e o Distrito Federal se encontram em “zona de alerta crítica”. Os dados foram levantados Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Mais de 250 mil brasileiros já perderam suas vidas para a covid-19, 50 mil só nos últimos 48 dias. Para conter a covid-19 é preciso vacinar a população. Precisamos diminuir a procura por leitos tanto de UTI quanto de enfermaria. Em paralelo, o Ministério da Saúde precisa criar novos leitos para garantir o acesso à Saúde. Além disso, reforças as medidas preventivas como o uso de máscara e distanciamento social. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello se abstêm de suas responsabilidades. Prometem vacinas, mas não fecham contratos efetivamente.

Apesar do acordo firmado, nesta semana, com as Secretarias de Saúde para o aporte de R$ 500 milhões destinados ao pagamento de leitos, o Ministério da Saúde, em 2021, cortou a verba de financiamento de leitos de UTI para atendimento de pacientes com covid-19, em meio ao agravamento da segunda onda de contaminações, e a descoberta da nova cepa, ainda mais contagiosa, a de Manaus, que já está se espalhando pelo país. A decisão do STF autorizando Estados e municípios a importarem vacinas aprovadas pela Anvisa e por outras agências reguladoras do mundo, caso o governo federal não haja com celeridade, tranquilizou, mas as ações continuam inacreditavelmente lentas.

Seguramente o Brasil é atualmente o maior laboratório a céu aberto onde pode-se verificar a dinâmica natural do coronavírus sem nenhuma medida eficaz de contenção. É a própria devastação épica do SARS-Cov-2. A Pandemia atingiu seu momento mais crítico e está totalmente fora de controle. E tão sombrio quanto ã morte e o luto são o silêncio ensurdecedor dos políticos eleitos por nós, com a terrível tragédia humanitária que o país está vivendo.


Beth Passos é jornalista 

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