ARTIGO – Brasil fechado 

Ontem ouvi essa frase: “O que me consola é a democratização da desgraça”. Chocada fiquei porque quanto mais o Sars-CoV-2 circula, e se replica dentro dos seres humanos, maior a chance de ele acumular mutações e gerar novas cepas (via Ciência, Saúde e Sustentabilidade Estadão). Infelizmente é compreensível a revolta, pois habitamos um país presidido por um militante da necropolítica, coadjuvante do vírus, com governadores e prefeitos acuados pela União, temerosos de decretar o lockdown, uma vez que a população prefere correr o risco de morrer de vírus à certeza de morrer de fome ou na ruína. A realidade, pessoas da minha bolha é: cada um por si.

O pai de família e cidadão de bem goza da liberdade de comprar seis armas e pisar fundo no carro sem temer perder a carteira de motorista. Só que dessa vez a derrocada ao menos é democrática. Os que possuem poder monetário não tem sequer um aeroporto para onde correr. Porque o mundo se fechou para o Brasil, temeroso pela disseminação da variante de Manaus, e os melhores hospitais já não dão conta da demanda.

Está evidente que rico também vai morrer como mosca ou como pobre na fila do SUS, asfixiado pela própria vilania.

Quem assistiu Alien, o oitavo passageiro? Pois é, somos nós, naquela nave à deriva no espaço com um inimigo à espreita prestes a nos devorar. E quando tudo isso passar, se algo de civilização sobrar, se deixarmos de ser um não-país, teremos de inventar tribunais para julgar os crimes de hoje, pois os que já existem serão insuficientes.

Repito, o que está acontecendo no Brasil é um daqueles momentos na história que no futuro as pessoas dirão: “mas como deixaram isso acontecer? ”

O que está acontecendo é crime contra a humanidade. E todos que ficarem em silêncio são cúmplices.


Beth Passos é jornalista 

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